França e Espanha estreitam relações com tratado de amizade em Barcelona

França e Espanha, que acabam de resolver um de seus raros desentendimentos, assinarão na quinta-feira um tratado de amizade em Barcelona, outra aproximação de Paris com um vizinho do sul enquanto o eixo franco-alemão perde força.

No mesmo dia em que se prevê uma mobilização massiva na França dos sindicatos contra a reforma das pensões, o presidente Emmanuel Macron estará em Barcelona para assinar com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, este tratado que visa reforçar a cooperação entre os dois países em múltiplos aspectos.

Trata-se do terceiro acordo deste tipo que a França assina na Europa, depois do Eliseu, assinado em 1963 com a Alemanha - e posteriormente reforçado com o de Aachen em 2019 -, e do Quirinal, assinado com a Itália em novembro de 2021.

Esta assinatura surge três meses depois do consenso alcançado entre os dois vizinhos e Portugal para enterrar o projeto do gasoduto "Midcat", ao qual Paris se opôs, e substituí-lo por um gasoduto "verde" que ligará Barcelona a Marselha.

Com o apoio da Alemanha, Madri pretendia relançar o "Midcat" para enviar, através do território da França, o gás que chega aos seus numerosos terminais de metano para o norte da Europa, agora confrontado pela suspensão das entregas de gás russo.

Apoiados por Bruxelas, os dois países chegaram finalmente a um acordo para o lançamento em 2030 do projeto "H2Med", um duto que vai transportar hidrogênio produzido a partir de eletricidade renovável da Península Ibérica até o norte da União Europeia via França.

- Novos eixos -

Como já aconteceu com o de Quirinal, o pacto de Barcelona busca destacar o estreitamento das relações de Paris com outros vizinhos além da Alemanha.

"Esperamos muito antes de assumir abertamente nossas diferenças com a Alemanha", disse um deputado do partido de Macron sob condição de anonimato, o que levou a "muitas reuniões perdidas em 30 anos com outros países europeus sobre alguns temas".

A França e a Alemanha tiveram algumas divergências, em questões como energia e defesa, o que acabou por levar ao adiamento do Conselho de Ministros franco-alemão previsto para outubro. As tensões diminuíram desde então e o encontro ocorrerá em 22 de janeiro em Paris, data simbólica que coincidirá com o 60º aniversário do Tratado do Eliseu.

Para o Eliseu, "este tratado nada mais faz do que proporcionar um marco ou uma estrutura para uma relação que já é estreita em todos os âmbitos".

Na mente de Macron, é a concretização de uma "linha comum com Madri" sobre a resposta europeia à Lei de Redução da Inflação, o enorme plano de investimento dos Estados Unidos na transição energética em benefício das empresas americanas.

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