França e Reino Unido denunciam Irã por buscar "tomada de reféns"

Protesto em Javanrud, no Irã, em imagem retirada de vídeo em rede social

DUBAI (Reuters) - A França e o Reino Unido acusaram nesta quarta-feira o Irã de ameaçar seus cidadãos, depois que a República Islâmica disse que agentes de inteligência franceses foram presos durante protestos antigovernamentais.

Teerã acusa os adversários ocidentais de alimentar a agitação nacional desencadeada pela morte em 16 de setembro da jovem curda iraniana Mahsa Amini, que a polícia da moral prendeu por supostamente desrespeitar o código de vestimenta islâmico.

"Pessoas de outras nacionalidades foram presas nos distúrbios, algumas das quais desempenharam um papel importante", disse o ministro do Interior, Ahmad Vahidi, à televisão estatal nesta quarta-feira.

"Havia elementos da agência de inteligência francesa e eles serão tratados de acordo com a lei."

A França negou as declarações do Ministério do Interior do Irã sobre a prisão de oficiais da inteligência francesa e exigiu a libertação de todos os seus cidadãos detidos no Irã.

Na cúpula do Grupo dos 20 (G20) na Indonésia, o presidente francês Emmanuel Macron disse a repórteres que o Irã está sendo cada vez mais agressivo "com sua inaceitável tomada de reféns".

"Peço ao Irã que retorne à calma e ao espírito de cooperação. Peço que respeite a estabilidade regional e também os cidadãos franceses", acrescentou.

Paris diz que sete cidadãos franceses estão detidos no Irã.

A morte de Amini e a repressão que se seguiu isolaram ainda mais o Irã, enquanto seu governo luta para retomar um acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais.

O chefe da agência de espionagem doméstica do Reino Unido disse que os serviços de inteligência do Irã tentaram em pelo menos 10 ocasiões sequestrar ou mesmo matar cidadãos britânicos ou indivíduos baseados no Reino Unido considerados por Teerã como uma ameaça.

Também nesta quarta-feira, o poder judiciário do Irã condenou à morte três manifestantes antigovernamentais em Teerã por várias acusações, informou a mídia estatal iraniana. Os três podem recorrer.

(Reportagem da redação de Dubai, reportagem adicional de John Irish em Paris e Michael Holden em Londres)