França pede 'libertação imediata' de dois de seus cidadãos presos no Irã

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, chega à cerimônia de posse do presidente Emmanuel Macron em 7 de maio de 2022 no Palácio do Eliseu, em Paris (AFP/Ludovic Marin) (Ludovic Marin)

A França condenou, nesta quinta-feira (12), a "detenção infundada" e pediu a "libertação imediata" de dois franceses presos no Irã, que anunciou, na véspera, a detenção de dois "europeus" acusados de buscarem "desestabilizar" o país.

"O governo francês condena esta detenção infundada. Pede a libertação imediata destes dois cidadãos franceses e se manterá plenamente mobilizado para isso", afirma uma declaração do Ministério francês das Relações Exteriores.

A Chancelaria informou que já fez contato com as autoridades iranianas para obter "acesso consular" e que convocou o encarregado de negócios da embaixada do Irã em Paris.

Segundo fontes próximas do caso, os dois presos são uma diretora de um sindicato de ensino e seu companheiro.

Teerã acusa os dois europeus detidos de serem "agentes" de informação "experientes", de acordo com o Ministério iraniano de Inteligência, cujo objetivo era "deflagrar o caos e desestabilizar a sociedade".

Ambos são suspeitos de terem tentado se aproximar dos sindicatos iranianos, em especial o de professores, alegou o ministério iraniano no dia anterior.

Há meses, os docentes pedem ao governo iraniano que acelere as reformas que preveem o aumento salarial. Também reivindicam a libertação de seus colegas presos em mobilizações.

O líder sindical da educação no Irã, Rasul Bodaghi, foi condenado a cinco anos de prisão em abril deste ano por sua participação em manifestações, relata uma organização de defesa dos direitos humanos.

Sob duras sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos desde 2018, o Irã sofre uma galopante inflação de mais de 40%, com muito impacto na situação de funcionários públicos, como os professores.

As autoridades iranianas mantêm vários cidadãos estrangeiros presos por motivos considerados políticos pelos países ocidentais. Para eles, Teerã usa estas pessoas para aumentar a pressão na negociação sobre seu programa nuclear, ou para aliviar o peso das sanções internacionais.

Estas novas prisões acontecem em meio à viagem do negociador da União Europeia (UE) encarregado de coordenar as discussões sobre a energia nuclear iraniana, Enrique Mora, ao Irã.

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