França prevê retorno progressivo à normalidade a partir de 19 de maio

María Elena BUCHELI
·3 minuto de leitura
(ARQUIVO) Fila do lado de fora de um centro de vacinação contra a covid-19 no estádio Velodrome em Marselha, sudeste da França, em 15 de março de 2021

Os franceses poderão voltar a comer nas áreas externas dos restaurantes, visitar museus e ir ao cinema a partir de 19 de maio, o primeiro passo de um lento processo de reabertura, segundo os planos anunciados pelo presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (29), apesar do alto índice de casos de covid-19.

A França, um dos países europeus mais afetados pela pandemia, com 104 mil mortes, tem seus restaurantes, cafés, museus e salas de espetáculos fechados há meses, enquanto os países vizinhos já começaram a suspender suas restrições.

“Devemos voltar à nossa arte de viver à francesa”, disse Macron em entrevista à imprensa regional dedicada ao levantamento progressivo das restrições e à reativação das atividades econômicas e sociais.

“Agora temos uma vacina que nos dá uma perspectiva de saída duradoura da crise”, justificou o presidente.

Seu plano, dividido em quatro fases, prevê a reabertura das áreas externas de restaurantes e cafés, lojas e espaços culturais, incluindo museus e cinemas, no dia 19 de maio.

Será necessário, no entanto, esperar até 9 de junho para comer ou tomar um café dentro de um restaurante ou bar.

O toque de recolher, em vigor atualmente em toda a França a partir das 19h, passará para as 21h a partir de 19 de maio e 23h a partir de 9 de junho, com a suspensão definitiva em 30 de junho.

As restrições de deslocamento, que impedem os franceses de viagens a mais de 10 quilômetros de sua residência, exceto por motivo excepcional, serão suspensas em 3 de maio.

No mesmo dia, os alunos do ensino médio retornarão às salas de aula, uma semana após os alunos do ensino fundamental.

O objetivo é "voltar a uma vida o mais normal possível", disse Macron.

- Certificado de imunidade -

A partir do dia 30 de junho, poderão ser realizados eventos com mais de 1.000 pessoas, mas para acessá-los será necessário apresentar teste negativo ou certificado de imunização.

O presidente descartou que essa prática seja estendida para ir a restaurantes, teatros ou museus.

“Mas em locais onde há multidões, como estádios, festivais, feiras ou exposições, seria um absurdo” não tomar este cuidado, afirmou.

No entanto, esse calendário pode ter que ser adaptado caso a situação de saúde piore, alertou Macron. Atualmente, há oito departamentos franceses, incluindo Paris, nos quais a incidência ultrapassa 400 casos por 100.000 habitantes, observou.

Esses anúncios foram celebrados pelos setores mais afetados pela pandemia.

"Finalmente temos datas ... e podemos nos organizar para trabalhar", disse Roland Héguy, presidente do principal sindicato de hotelaria da França.

No nível sanitário, a situação continua delicada: na quarta-feira o número de paciente com covid internados ultrapassava os 30.000, o que não se via desde o início de abril.

Paralelamente, nos últimos sete dias, o número de casos positivos (27.000 em média na última semana) é inferior ao de um mês atrás (cerca de 40.000).

Um caso da variante indiana do coronavírus foi detectado no sudoeste da França, anunciou nesta quinta-feira a agência regional de saúde da região de Nova Aquitânia.

Para Catherine Hill, epidemiologista de um hospital de Paris, uma suspensão em grande escala das restrições seria "absolutamente imprudente", observando que, o número de pacientes com covid-19 em terapia intensiva, em 5.879, ainda é maior do que no auge da segunda onda, em novembro.

O governo espera que a campanha de vacinação, que se acelerou nas últimas semanas, ajude a manter o vírus sob controle.

Até agora, 14,9 milhões de pessoas receberam uma dose e mais de 6 milhões receberam as duas doses (ou seja, 11,5% da população maior de idade).

burs-meb/jz/jc/mvv