França reúne países do Leste Europeu para desfile militar de 14 de julho

REUTERS / Gonzalo Fuentes

Cinco meses após o início da guerra na Ucrânia, o desfile militar de 14 de julho tem um significado especial para as Forças Armadas francesas. Para esta edição de 2022, tropas de nove países do Leste Europeu foram convidadas a marchar na avenida Champs-Élysées, abrindo a apresentação dos batalhões franceses.

Com o tema "Compartilhando a chama", a França envia neste 14 de julho um sinal de unidade e solidariedade da Europa contra as ameaças de segurança proferidas pela Rússia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro, além de fazer referência aos preparativos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2024 em Paris.

Segundo o general Christophe Abad, comandante militar de Paris, o desfile desta quinta-feira recorda a chama da Resistência encarnada por Hubert Germain, último combatente francês da Segunda Guerra Mundial, que morreu no ano passado aos 101 anos, e também evoca a chama localizada em frente ao túmulo do Soldado Desconhecido, sob o Arco do Triunfo, cujo centenário será comemorado em janeiro de 2023. Além disso, Paris se prepara para receber a chama olímpica, símbolo da paz, da amizade e do bom relacionamento entre os povos presentes no espírito olímpico.

A exibição irá começar às 10h20 no horário de Paris (5h20 em Brasília), depois das tradicionais revistas às tropas dos chefes do Estado-Maior e do presidente Emmanuel Macron. Pela primeira vez, um drone MQ-9 Reaper sobrevoará a capital. O equipamento tem sido utilizado em apoio a tropas terrestres em uma série de missões, como operações de inteligência e ataques com armas de precisão.

Outra participação inédita será a de um batalhão de investigadores especializados em crimes cibernéticos. A França formou 7.500 militares nesta área, que atuam na unidade ComCyberGend. Apenas no ano passado, o núcleo participou de 2.500 investigações judiciais no território nacional.

Queda da Bastilha e Festa da Federação: as origens do feriado

Em 2022, a França celebra os 233 anos da queda da Bastilha, uma fortaleza medieval para onde eram levados os prisioneiros políticos inimigos dos reis durante o Absolutismo, sistema político que vigorou dos séculos 16 ao 18. Em 14 de julho de 1789, milhares de parisienses que lutavam para derrubar a monarquia invadiram essa prisão para libertar os últimos prisioneiros. No entanto, a data só foi integrada no calendário cívico do país quase 100 anos mais tarde, em 1880, inspirada em outro evento histórico: a Festa da Federação.

Em 14 de julho de 1790, 400 mil pessoas se reuniram no Campo de Marte, onde hoje fica a Torre Eiffel, para assistir a uma missa campal. A multidão recordou a queda da Bastilha, símbolo da opressão e da tirania do período despótico. O evento durou vários dias e acalmou as tensões entre monarquistas, moderados e republicanos. É o espírito de reconciliação visto no Campo de Marte, depois de um ano de enfrentamentos nas ruas, que hoje os franceses comemoram em 14 de julho.

Temperaturas elevadas cancelam queima de fogos

Como acontece tradicionalmente, a programação começou na noite de quarta-feira (13), com festas nas casernas de bombeiros e espetáculos de fogos de artifício promovidos por prefeituras em todo o país. Este ano, no entanto, devido às temperaturas elevadas e ao risco de incêndios, vários municípios cancelaram a queima de fogos, principalmente no sul da França.

Depois da parada militar na manhã de quinta-feira, o presidente Emmanuel Macron recebe convidados para uma Garden Party no Palácio do Eliseu. As comemorações serão encerradas com um show musical e um apoteótico espetáculo de fogos de artifício na Torre Eiffel, organizado pela prefeitura de Paris.

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