França reabrirá lojas e exigirá máscara no transporte público

Em casa, de máscara, uma pessoa assiste ao pronunciamento do premiê francês, Edouard Philippe, pela televisão, em 2 de abril de 2020, em Chisseaux

O primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, anunciou nesta terça-feira (28) a reabertura de todas as lojas no país, exceto restaurantes e cafés, a partir de 11 de maio, assim como o uso obrigatório de máscaras nos transportes públicos.

"Teremos que conviver com o vírus", disse Philippe, durante um discurso no Parlamento, detalhando o plano de ação para sair, de forma gradual, do confinamento imposto aos 67 milhões de franceses há seis semanas, devido à pandemia da COVID-19.

O relaxamento do confinamento, que começará em 11 de maio, será realizado "progressivamente" para "evitar uma segunda onda de contágio", acrescentou o premiê francês, depois de constatada uma queda há duas semanas no número de pacientes graves.

O número de pessoas em terapia intensiva (4.608) caiu na segunda-feira pelo nono dia consecutivo, com 74 doentes a menos.

Todos os estabelecimentos comerciais poderão abrir a partir de 11 de maio, salvo restaurantes e cafés, para os quais uma decisão será tomada no final de maio. Os grandes museus do país, como o Louvre, cinemas, teatros e salas de concerto também permanecerão fechados até novo aviso.

O uso de máscaras será obrigatório nos transportes públicos e recomendado nas lojas a partir da mesma data.

"Receberemos cerca de 100 milhões de máscaras cirúrgicas por semana", disse Philippe, após críticas severas à escassez crônica de máscaras no país desde o início da pandemia. "Teremos máscaras suficientes a partir de 11 de maio", garantiu Philippe.

Além disso, o governo planeja realizar 700.000 testes por semana para pessoas com sintomas de coronavírus e aquelas com quem eles estavam em contato.

O objetivo "dessa política ambiciosa de testes é poder isolar aqueles que têm o vírus o mais rápido possível e, assim, quebrar a cadeia de transmissão", disse o primeiro-ministro.

Esse isolamento será feito nas residências ou nos hotéis previstos, acrescentou Philippe.

O primeiro-ministro também pediu aos franceses que continuem trabalhando em casa, sempre que possível, "pelo menos nas próximas três semanas".

Para aqueles que não puderem seguir essa orientação, ele pediu às empresas que façam um escalonamento no horário de trabalho para diminuir a presença simultânea de funcionários.

Reuniões de mais de 10 pessoas, em locais públicos e privados, cerimônias religiosas e enterros com mais de 20 pessoas continuarão sendo proibidos após o início do desconfinamento.

As escolas também começarão a reabrir, muito progressivamente, a partir de 11 de maio, no caso da pré-escola e do ensino básico, e a partir do dia 18, no caso das universidades, conforme anúncio do primeiro-ministro.

Em relação ao ensino superior, o uso de máscaras será "obrigatório". Voltarão a funcionar apenas os departamentos menos atingidos pela COVID-19, disse Philippe aos deputados franceses, acrescentando que a decisão sobre o ensino médio será tomada "no fim de maio".

O plano apresentado pelo governo foi aprovado à noite pela Assembleia Nacional por 380 votos a favor dos deputados da maioria presidencial e seus aliados, 100 contra (quase todos da esquerda) e 103 abstenções (na maior parte, da direita).

O coronavírus matou mais de 23.000 pessoas na França desde o começo de março. Após 43 dias em quarentena, a pandemia parece diminuir seu trágico balanço, com 437 mortes em 24 horas na segunda-feira, contra 833, em 6 de abril.