França repatria 15 mulheres e 32 crianças de acampamentos jihadistas na Síria

A França repatriou nesta terça-feira (24) 15 mulheres e 32 crianças que estavam detidas em acampamentos de prisioneiros jihadistas no nordeste da Síria, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da França.

"Os menores foram encaminhados para serviços de apoio à infância e serão submetidos a acompanhamento médico e social", informou o ministério em comunicado.

"As adultas foram encaminhadas às autoridades judiciais competentes", acrescentou.

Esta é a terceira grande operação de repatriamento depois da de 5 de julho de 2022, quando a França levou 16 mulheres e 35 menores para seu território, e a de outubro, que permitiu o retorno de 15 mulheres e 40 crianças.

As mulheres e crianças repatriadas nesta terça-feira, próximas aos jihadistas do Estado Islâmico (EI), estavam no acampamento de Roj sob administração curda, a cerca de 15 quilômetros das fronteiras iraquiana e turca.

A Promotoria Nacional Antiterrorista indicou que oito das 15 mulheres, sobre as quais estava pendente um mandado de busca, estão sob custódia policial. As demais, com mandado de prisão, irão à Justiça.

A França foi alvo de ataques jihadistas promovidos pelo EI, especialmente em 2015, quando uma coalizão internacional lutava contra os jihadistas em territórios sob seu controle na Síria e no Iraque.

Familiares, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos e o Comitê da ONU contra a Tortura condenaram a relutância da França em repatriar seus cidadãos presentes nos acampamentos de prisioneiros jihadistas.

Esta repatriação "põe fim à política do caso por caso", disse Marie Dosé, advogada que fez campanha pelo retorno dessas pessoas, para quem isso mostra que a França "sempre" foi capaz de repatriar "crianças e mães".

Essas mulheres viajaram voluntariamente para territórios controlados por grupos jihadistas e foram capturadas quando o EI caiu em 2019. Muitos de seus filhos nasceram nos acampamentos.

"Restam vários órfãos e algumas mães que pedem para serem repatriadas com seus filhos, principalmente uma mulher com deficiência", acrescentou Dosé. O Ministério das Relações Exteriores não especificou quantas pessoas ainda estariam lá.

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