França se prepara para greve em massa contra reforma da Previdência

Por María Elena BUCHELI
(Arquivo) Reunião na estação de Lyon Perrache durante a greve de abril de 2018

A França deve amanhecer na quinta-feira paralisada por uma greve em massa em protesto contra a reforma do sistema previdenciário impulsionado pelo governo de Emmanuel Macron, manifestação que ameaça bloquear o país por tempo indefinido.

Funcionários de transportes públicos, estudantes, policiais, garis, advogados, médicos, enfermeiros, professores, funcionários de companhias aéreas, entre outros setores, se unirão em uma greve contra essa explosiva reforma que toca um dos pilares do modelo francês.

Com esse movimento social, os sindicatos esperam que o executivo anule uma reforma que prevê a instauração de um sistema de aposentadoria universal por pontos, que serão acumulados durante a vida laboral e se traduzirão em uma renda mensal na aposentadoria.

Este sistema único, que foi um dos eixos do programa eleitoral de Macron, substituirá os 42 regimes especiais que coexistem atualmente na França tanto no setor privado como no público e no qual vigoram regras variáveis que afetam a idade de aposentadoria ou o valor da contribuição.

Para o governo, trata-se de um sistema "mais justo e mais simples" em que "cada euro cotado dará os mesmos direitos a todos".

Os sindicatos, no entanto, temem que a mudança para o novo sistema adie a aposentadoria por idade, atualmente aos 62 anos, e reduza o nível de pensões.

O governo pretende apresentar a reforma ao parlamento no começo de 2020 para uma entrada em vigor em 2025.

- Soluções alternativas -

Se estima que o impacto gerado por essa greve será muito similar àquela de 13 de setembro, a primeira grande mobilização contra a reforma de Macron e a pior no país em 12 anos.

Os parisienses deverão buscar soluções alternativas para ir a trabalhar, como bicicletas e patinetes, já que 11 das 16 linhas de metrô devem ficar completamente paralisadas e somente circularão em média um em cada três ônibus.

Para quem vive no subúrbio a situação deve ficar ainda mais complicada, já que muito menos trens circularão.

A companhia estatal ferroviária SNCF cancelou 90% de seus trens de alta velocidade TGV e 80% de seus trens regionais. Os serviços internacionais como o Eurostar - que comunicam Paris com Londres - e o Thalys - que unem Paris, Bélgica, Alemanha e Holanda - serão fortemente afetados.

Sobre o transporte aéreo, Air France cancelou para a quinta-feira 30% de seus voos domésticos e 15% de seus voos de médio alcance, e a britânica EasyJet 233 voos interiores e de médio alcance.

Muitos pais e mães devem ficar em casa, já que escolas ficarão fechadas e 55% dos docentes farão greve.

Estão previstas manifestações e greves em dezenas de cidades francesas. Protestos em Paris convergirão para a Praça da Nação.

O impacto econômico de um dia de greve pode chegar a "cerca de 400 milhões de euros", segundo François Asselin, presidente da associação de pequenas e médias empresas CPME.