Sarkozy presta depoimento por suposto financiamento da campanha de 2007

Paris, 20 mar (EFE).- O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy presta depoimento pelo suposto financiamento da campanha para sua eleição em 2007 com dinheiro do regime de Muammar al-Gaddafi, indicaram nesta terça-feira à Agência Efe fontes judiciais, que acrescentaram que o ex-ministro Brice Hortefeux também depõe.

Hortefeux, um dos mais estreitos colaboradores de Sarkozy antes e durante sua passagem pelo Eliseu, tinha sido igualmente convocado hoje pela Polícia Judicial de Nanterre, perto de Paris, precisaram as fontes.

O ex-chefe do Estado pode permanecer sob detenção para depor perante os investigadores em um máximo de 48 horas antes de ser apresentado perante um juiz se for considerado que há elementos que possam justificar seu envolvimento.

Na origem desta investigação judicial há, sobretudo, um documento administrativo líbio, publicado em maio de 2012 pelo "Médiapart", em que mostrava que o ex-presidente tinha recebido dinheiro do ditador líbio.

Em novembro de 2016, o empresário e intermediário Ziad Takieddine afirmou ter levado cinco milhões de euros em dinheiro entre finais de 2006 e começo de 2007 de Trípoli a Paris que entregou o também ex-ministro Claude Guéant e Sarkozy, que era então titular de Interior.

O diretor da "Médiapart", Edwy Plenel, apontou hoje na emissora "France Info" que os juízes constataram que na campanha do ex-presidente conservador circulava muito dinheiro, e que foram encontrados rastros de pagamentos em um banco libanês e em outro alemão.

Plenel também se referiu aos testemunhos de outros conhecedores das supostas transferências de dinheiro do regime do derrubado líder líbio à campanha de 2007, na qual Sarkozy saiu vitorioso no segundo turno frente à socialista Ségolène Royal.

Para o jornalista, também deve ser deixado claro se, além da eventual responsabilidade penal, o envolvimento da França na derrocada de Gadaffi em 2011.

O premiê francês, o conservador Edouard Philippe, não quis comentar hoje à rede "BFM TV" o procedimento judicial em andamento contra Sarkozy e se limitou a lembrar que suas relações com o antigo chefe do Estado "sempre foram respeitosas".

Sarkozy já é processado pelo suposto financiamento irregular da sua campanha às eleições presidenciais de 2012, nas quais foi derrotado pelo socialista François Hollande, e se sentará no banco dos réus pelo conhecido "caso Bygmalion", uma suposta trama de falsificação de faturas para ocultar despesas. EFE