Francês é denunciado pelo MP por chamar porteiro de macaco em Copacabana

A Polícia Civil do Rio concluiu o inquérito que investigava o francês Gilles David Teboul por ter chamado o porteiro Reginaldo Silva de Lima de “preto, fedorento e macaco”. O procedimento da 12ª DP (Copacabana) foi recebido pelo Ministério Público, nesta quarta-feira, dia 13, que denunciou o estrangeiro pelos crimes de injúria racial e ameaça e pela contravenção penal de vias de fato. De acordo com o órgão, ele "ofendeu a dignidade e o decoro mediante palavras, utilizando elementos referentes à cor de pele", além de agir livre e conscientemente, agredindo e ameaçando "causar mal injusto e grave" no funcionário do prédio.

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Na denúncia, à qual O GLOBO teve acesso, a promotora Janaína Marques Corrêa Melo pontua que Reginaldo estava trabalhando na portaria quando Gilles chegou ao local reclamando que o elevador do prédio não estava funcionando. O francês disse então que a vítima "não prestava para estar ali, pois não tinha capacidade para exercer a função de porteiro" e que "era um negro, macaco".

“Indignada com as ofensas raciais, a vítima exigiu que fosse respeitado, momento em que o denunciado, com vontade de aviltar fisicamente Reginaldo, segurou e apertou seu pescoço, além de desferir na vítima um tapa no rosto e socos pelo corpo, sem, contudo, causar lesões corporais. Por fim, após o porteiro se desvencilhar de seu algoz, Gilles disse "se você for a delegacia fazer registro contra mim, eu lhe mato", seguidamente evadindo-se do local após prometer atentar contra a vida da vítima”, destacou o MP.

“A materialidade dos crimes e da contravenção está devidamente comprovada através da prova testemunhas e audiovisual (imagens das câmeras de segurança do prédio que captaram toda a movimentação do denunciado durante as agressões físicas e verbais), havendo indícios suficientes de autoria delitiva decorrentes do arcabouço probatório mencionado”, escreveu a promotora, requerendo a condenação do francês a penas privativas de liberdade pelos crimes e ainda o pagamento de indenização por danos morais para reparação dos danos causados.

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Na semana passada, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do plantão judicial do Tribunal de Justiça do Rio, determinou a proibição de Gilles de se aproximar de Reginaldo, de deixar o território brasileiro e ainda que ele entregue o passaporte a delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 12ª, responsável pelo inquérito e que representou pelas medidas cautelares. No despacho, a magistrada destacou que o francês deveria se “abster de molestar e de dirigir palavras injuriosas à vítima”.

Segundo o inquérito, por volta do meio-dia do último dia 26, além de ofender, o francês teria agredido o porteiro na portaria de um prédio na Rua Ronald de Carvalho. Ele ainda teria dito, na presença de outros moradores, que o funcionário “poderia ir à delegacia, nada vai acontecer comigo, pois tenho dinheiro".

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Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostram que Gilles coloca as mãos em volta do pescoço de Reginaldo, pressionando-o. Quando o porteiro consegue se desvencilhar, os dois se afastam. Cerca de 20 minutos depois, o francês retorna ao local, dando a volta em sua mesa e encurralando-o até que saem da área de alcance dos equipamentos de vídeos.

Após o registro do caso, agentes da 12ª DP estiveram no apartamento do estrangeiro e, por telefone, ele informou que não poderia descer, pois era uma "pessoa doente e cadeirante" e se negou a assinar o recibo do mandado de intimação. Em depoimento na delegacia, os policiais militares que atenderam a ocorrência contaram que, na ocasião, ele confirmou ter agredido o porteiro, mas disse que não compareceria a distrital justamente pelas comorbidades.

Também seu termo de declaração, uma moradora do condomínio há oito anos relatou que Gilles já diversos problemas com outros vizinhos. Naquela manhã, quando foi passear com a cachorrinha, ela disse ter visto a discussão entre ele e o funcionário do prédio. Após a briga, ele não a teria deixado entrar no elevador e teria dito: “Aqui só vai eu e meu cachorro”.

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