Francês que atuou na contraespionagem denuncia abusos do Pegasus e de apps espiões

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O francês Guilhem Giraud, engenheiro em telecomunicações, passou 25 anos de sua vida atuando no setor da espionagem. Mas depois que o consórcio investigativo Forbidden Stories revelou que o software israelense Pegasus, criado pelo NSO Group, era utilizado para espionar jornalistas, militantes de direitos humanos, opositores, ministros e chefes de Estado, ele decidiu "sair do armário", como gosta de dizer. Aos 47 anos, Giraud denuncia os abusos dessa indústria opaca ao jornal Libération.

Nos primeiros anos da carreira, Giraud foi funcionário do serviço de contraespionagem francês, conhecido pela sigla DST – Diréction de surveillance du territoire (Direção de vigilância do território, em português). Depois, passou para a iniciativa privada. Ele compara o Pegasus e softwares espiões semelhantes a armas nucleares "pelo grau de devastação que podem causar aos seres humanos e à vida em sociedade.

O Pegasus é um aplicativo capaz de aspirar o conteúdo de celulares à distância e permite que seus operadores tenham acesso a mensagens, fotos e e-mails secretamente, escutem chamadas e ativem microfones e câmeras.

Carlos Bolsonaro já tentou comprar o aplicativo desenvolvido em Israel para usar contra os opositores do pai. Recentemente, o filho 02 do presidente Jair Bolsonaro se interessou por outro software espião para usar na campanha eleitoral, o DarkMatter.

O francês acabou aceitando um convite para atuar como consultor de um país do Golfo, que ele prefere não revelar na entrevista ao Libération. Agora, com o passar dos anos, e as mudanças ocorridas nesse mercado, Giraud decidiu mudar de lado.


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