Francesa lança guia ilustrado sobre sexo em que compartilha novos métodos para alcançar o prazer

A expressão “entendeu ou quer que eu desenhe?” foi seguida à risca pela ilustradora francesa Jüne Plã. Quando um namorado quis saber onde ficava um determinado ponto na sua vagina, ela colocou o talento a serviço do prazer e criou a primeira de suas inúmeras ilustrações. A intenção era mostrar que havia um universo a ser desbravado. “As pessoas precisam de referências visuais”, endossa a autora, em entrevista feita por e-mail. “Somos muito influenciados por filmes e pela pornografia, o que é triste porque a penetração não é a única maneira de alcançar o prazer”, ressalta.

Para compartilhar com o mundo todas essas possibilidades, em 2018, criou o perfil no Instagram Jouissance Club (@jouissance.club), hoje com mais de 900 mil seguidores. “Entendi que era a maneira certa de ajudar as pessoas, de forma lúdica, a serem mais criativas. Mas vale dizer que minhas ilustrações não substituem uma boa conversa. A comunicação é a chave”, frisa. Os desenhos, livres e, ao mesmo tempo, didáticos, reverberaram e a designer de personagens de videogames lançou o livro na França há dois anos. Com mais de 500 mil exemplares vendidos, “Clube do orgasmo — uma cartografia do prazer” (Intrínseca) chega na segunda-feira às livrarias brasileiras e pode ser um bom presente de Dia dos Namorados.

Nas 256 páginas, Jüne escreve e desenha com bom humor. “Este livro é feito para todo mundo! Menos para quem não gosta de transar”, avisa, de cara. Ela destaca a abordagem inclusiva: “A ideia é ir no seu ritmo e variar os prazeres a sós, em dupla ou em grupo — independentemente do seu gênero ou orientação sexual.” Os capítulos têm nomes como “Por trás da vulva”, “Por trás do pênis”, “As zonas de prazer de Sicrane” e “As zonas de prazer de Beltrane”. Fartamente ilustrado, o guia passeia por diversos temas: faz um passo a passo da exploração da “vulva e seus arredores”, explica o que pode causar dor na hora do sexo, discorre sobre transar menstruada (criando, inclusive, uma lista de músicas para entrar no clima da menstruação) e explica o que é o dicklit. “É o apelido que várias pessoas transmasculinas (a quem foi atribuído o gênero feminino ao nascer, mas que reivindicam o reconhecimento no gênero masculino, ou similares) dão para o clitóris que cresceu devido ao uso de testosterona.”

Mesmo em tempos em que a informação está a um clique, ela acredita que há ainda muito desconhecimento a respeito do sexo. “Precisamos falar sobre esse assunto na escola. Porque a ignorância levou a minha geração a cometer muitos erros dos quais eu, pessoalmente, me arrependo”, afirma. Para Jüne, uma das maiores dificuldades das mulheres — atingir o orgasmo — é o resultado da falta de comunicação e de paciência entre os casais. “Temos esse problema no sexo heterossexual. Muitas não chegam ao clímax com os parceiros porque a penetração fica no centro da sexualidade e sabemos agora que a grande maioria só consegue atingir o orgasmo por meio da estimulação do clitóris”, diz. Porém, segundo a autora, o silêncio segue imperando. “Elas não dizem o que desejam por não querer incomodar. E, quando se trata de fazer sexo oral nas mulheres, os homens acham que demoramos muito para gozar. No final, cria-se uma lacuna entre o orgasmo masculino e feminino”, emenda. A saída são longas sessões. “Sexo é bom como massagem. E ninguém quer que uma massagem termine em cinco minutos.”

Com a rotina transformada, Jüne estudou para corresponder às expectativas. “Passei a receber milhares de perguntas e me tornei uma espécie de sexóloga”, diz. “Minha vida é muito diferente hoje, mal tenho tempo para desenhar. Mas sinto falta. Quero voltar a me dedicar às ilustrações: essa é a única maneira de me sentir viva”, conclui.

June Pla © Christophe Pouget (1).tif

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