"Não cabe em um país democrático", diz Maia sobre declaração de Carlos Bolsonaro

"Acho que frases como essas devem colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil”, avaliou o presidente da Câmara (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

Sem citar nominalmente o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), avaliou que a frustração de expectativa de crescimento do país está ligada a sinalizações de agentes públicos. Questionado sobre a publicação do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Twitter, Maia disse que “frases como essas” aumentam insegurança de empresários.

Na noite de ontem, Zero-Um, filho mais velho do presidente, escreveu em sua conta que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”. Ao ser questionado sobre a frase na tarde desta terça (10), logo após retornar à Câmara após missão oficial no Catar, o presidente da Câmara demonstrou insatisfação. “Eu preferia nem comentar esse assunto. É uma declaração que não cabe em um país democrático”, disse.

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Maia citou ainda que a expectativa inicial de crescimento para o Brasil neste ano era de 2,5%, mas agora está abaixo de 1%. “A gente tem que compreender os motivos de uma redução tão drástica em nossa expectativa de crescimento neste ano. Acho que frases como essas devem colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil”, avaliou.

Para o presidente da Câmara, “frases mal colocadas” geram danos não apenas à imagem do país no exterior, mas impactam a situação da população mais pobre do país. “O Brasil não vai crescer 2,5%, vamos ter mais desempregados, mais fome e mais pobreza, e a conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre”. Ele também sinalizou que as polêmicas geradas pela família presidencial têm desanimado possíveis investidores. “Tem alguma variável de sinalização que o Brasil está dando, que os agentes públicos estão dando, que está gerando insegurança naqueles que poderiam estar investindo no Brasil”.