As frases inspiradas de Gab Carvalho viram objeto de desejo em forma de quadrinho

Joana Dale
·2 minuto de leitura

Carioca, flamenguista, mangueirense, filho de Iemanjá e devoto de Zeca Pagodinho, o publicitário Gab Carvalho, de 29 anos, virou queridinho da turma cool do eixo Rio-São Paulo-Salvador no meio da pandemia. Tudo começou por uma boa causa: diante da notícia de que os funcionários da Estação Primeira estavam sem receber salários, ele criou três quadrinhos com frases inspiradas no universo da verde e rosa, com renda revertida para os operários do samba. As 300 unidades foram vendidas em poucos dias. Bombaram. No embalo, bolou outro trio de quadrinhos cheios de axé, dessa vez com o objetivo de angariar fundos para o Balé Folclórico da Bahia. Também esgotaram em uma semana. E o “Sol em Caetano, ascendente em Gil e lua em Bethânia” virou hit absoluto. A ponto de já estarem rolando falsificações, com imitações grotescas da sua letra-assinatura. “São três artistas unânimes no Brasil. Para cobrir a falha da falta da Gal, fiz o ‘Tudo fica melhor ao som de Gal’”, conta o publicitário.

Além de se espalharem por aí em forma de quadrinhos, as frases leves e bem-humoradas viraram estampa de camiseta, numa parceria com a marca Dane-se, de Brasília. Entre as collabs, Gab deixou ainda seu traço nas latas de Brownie do Luiz e na capa das cadernetas da Cicero. “Prometo nunca mais ir embora antes do samba acabar” e “Desculpa Tim, mas eu quero dinheiro” estavam lá. “Alguns amigos pedem frases com a temática do futebol. Embora eu ame o tema, acabo não fazendo pois o meu público é mais sentimental, gosta de música, de astrologia. Pelo menos 80% é feminino”, explica.

As letras de Gab foram descobertas pelo mundo na quarentena. Poucos meses antes, só a sua namorada e sócia, a diretora de criação Sarah Gomes, conhecia os traços registrados em bilhetes. “Na escola, eu tinha que fazer reforço de caligrafia, pois a minha letra era ilegível”, lembra. Animado com a repercussão, Gab agora quer escrever algumas de suas frases no corpo para fazer companhia às 36 tatuagens que já tem. Entre elas, o rosto de Zeca, o logo do Beco do Rato, um pote de açaí e o mapa de Botafogo, seu bairro do coração. “Minha próxima coleção de frases seráem homenagem ao Rio. Passei os dois primeiros meses do ano trabalhando em Recife e fiquei morrendo de saudade”.