Fraudes on-line contra jovens crescem mais do que contra idosos. Veja golpes

Os jovens, de 18 a 24 anos, podem até ser requisitados pelos avós para executarem tarefas no mundo virtual ou ensinarem a usar serviços on-line. Mas quando o assunto é segurança digital, os mais novos ainda têm o que aprender. No último ano, na América Latina, as fraudes digitais cresceram mais entre eles do que entre os idosos acima de 75 anos: alta de 31% contra 26%, segundo pesquisa feita pela LexisNexis Risk Solutions. A explicação, em parte, está na superexposição que a geração faz da vida nas redes sociais.

— A comemoração de uma aprovação em um concurso público ou na faculdade possibilita que um criminoso pesquise no Google seu nome na listagem da instituição e encontre até o CPF. É feito um cruzamento de informações, mas não é difícil. O CPF é o dado mais valioso na internet hoje, a informação mais negociada. Com o número, é possível criar um perfil falso em uma rede social e abrir conta de uma carteira digital, sem que o dono sequer perceba — exemplifica Rafael Costa Abreu, diretor de Identidade e Fraude da LexisNexis Risk Solutions na América Latina.

Esse, porém, não é o único caminho para o fraudador. Mesmo que não consiga encontrar o CPF da vítima na web, conhecendo o perfil pelo que ela posta na rede social — como seus gostos e seus hábitos —, é possível se passar por um amigo ou uma empresa em um canal de comunicação e obter outras informações fornecidas voluntariamente.

André Regazzini, líder de Prática na Daryus Consultoria, acrescenta que, apesar de terem crescido com uma vida virtual, os jovens de hoje não têm maturidade cibernética.

— Esta geração vê tecnologia só como oportunidade, sem limites. E não tem um nível de consciência e maturidade sobre segurança cibernética. Então, não estranha o conteúdo digital gratuito como um site de jogos ou um canal de TV, antes de acessar fornecendo seus dados. Eles não veem valor nisso, mas em algum momento os dados fornecidos vão ser explorados para aplicar um golpe — alerta o especialista: — Há aplicativos que sugerem mostrar como a pessoa será com 60 anos a mais. Os jovens caem nisso e fornecem suas fotos pela experiência. Então, com a coleção de dados que reúnem, bandidos se passam por qualquer um até em cadastros de empresas com bons sistemas de identificação.

Já os mais velhos, diz André, sabem que nada sai de graça. Ressabiados, eles transferem suas preocupações para o ambiente digital. E estão certos, já que os criminosos também migram de acordo com as oportunidades em cada território. Não à toa fraudes e golpes cresceram em todas as faixas etárias nos últimos dois anos.

— A pandemia acelerou processos tecnológicos, home office, compras on-line, namoros e fotos trocadas virtualmente — diz Wanderson Castilho, perito em crimes digitais e CEO da Enetsec.

Abaixo, o perito criminal lista ao EXTRA cinco golpes comuns a jovens e dá dicas de como se proteger.

Compras no celular e por aplicaticos

Três quartos de todas as transações financeiras realizadas na internet, globalmente, no segundo semestre de 2021, foram feitas a partir de aparelhos móveis, e não de desktops. A grande maioria ocorreu por aplicativos (79%), à frente dos acessos por navegadores (21%).

Os apps de empresas podem até ser mais seguros do que os sites, mas o comportamento das pessoas em relação a seus celulares favorece os golpes.

— Existe uma maturidade maior em habilitar o antivírus e o sistema firewall no computador. No celular, é raro as pessoas tomarem os mesmos pequenos cuidados e escolherem a verificação em duas etapas para as redes sociais e os e-mails — avalia Leidivino Natal, CEO da Stefanini Rafael.

O acesso a e-mails, aliás, é muito requisitado por bandidos, inclusive depois de crimes off-line, como o roubo de celulares. Descobrindo e redefinindo uma senha, os golpistas bloqueiam o acesso do verdadeiro dono a ferramentas de comunicação e ficam livres para aplicar golpes em seus contatos e fazer transações.

Fraudadores criam robôs para atacar

Rafael Costa Abreu, diretor da LexisNexis Risk Solutions na América Latina, conta que os fraudadores estão cada vez mais automatizando processos.

— Quando dados são vazados na internet, criminosos criam robôs para atacar: com as informações, tentam fazer contas em serviços de streaming, por exemplo. Essa compra de baixo valor, que geralmente não é notada, serve para filtrar cartões válidos e cancelados. Depois, o bandido migra para fraude de maior valor agregado.

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