Fred conta detalhes sobre o problema na visão que o levou à aposentadoria

Fred concedeu entrevista exclusiva para o GLOBO e falou sobre a diplopia, também conhecida como visão dupla, que o forçou sua aposentadoria. O agora ex-atleta do Fluminense contou como descobriu que estava com o problema, que chegou a pensar que fosse labirintite durante anos. Felizmente, no Fluminense, recebeu o diagnóstico correto antes que a situação piorasse.

— O que aconteceu comigo? Na verdade eu fiquei 2018 e 2019 achando que eu estava com labirintite. Fiquei dez dias parado no Atlético-MG fazendo só exame de cérebro e descansando, eles estavam achando que poderia ser o cérebro. Quando descartou o cérebro, foi para o ouvido. Me diagnosticaram com labirintite. Eu me sentia meio tonto e a visão rodava. À noite era muito ruim, no ônibus eu sentia enjoo. Eu tomava calmante para amenizar — disse Fred:

— Em 2020, vim para o Fluminense. Na minha reestreia, uma bola sobrou na pequena área para eu fazer um gol de bicicleta. Tenho um monte de gol de bicicleta e voleio pelo Fluminense, é a minha marca, e se eu fizesse um gol de bicicleta a torcida ia à loucura. E a bola baixa, impossível errar, eu dei a bicicleta e furei. Ali eu chamei o doutor e disse 'tô começando a ficar com vergonha, não tô conseguindo, quando eu corro erro a passada no chão'. Ele mandou uma médica lá para casa, deu parecer de labirintite. Quando o outro médico chegou, logo viu que era vista e me perguntou se eu fiz algum exame — completou.

Fred tranquilizou o torcedor tricolor, já que a "vida normal", pós-futebol, não terá maiores problemas para o atacante.

— Nessa época era grau oito, era cirúrgico, o músculo rompeu e o olho rodou, todo movimento brusco eu desfocava. Em 2020, eu operei e voltei zero. O que causou isso foi o impacto na cabeça. Esse ano, há uns dois meses atras, comecei a sentir a mesma coisa, um pouco menos, mas a mesma coisa. A médica disse ‘Fred, pra vida normal não te influencia em nada, mas para você jogar em alta performance vai incomodar’ — completou o camisa 9.

O que é visão dupla?

Não é a primeira vez que o jogador tem o mesmo sintoma. Em 2020, ele operou o olho esquerdo e ficou cerca de um mês afastado. Desta vez, porém, ele não deve passar por cirurgia.

A "visão dupla" é o nome popular para a diplopia. Esse sintoma ocorre quando uma pessoa enxerga uma única imagem como se fossem duas. A diplopia pode ocorrer por diversos fatores como consequência da diabetes, infecções virais ou traumas.

Rubens Belfort Jr, professor titular no departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Academia Nacional de Medicina, explica que a diplopia é incômoda. Comparou com um filme 3D, sem os óculos que auxiliam na exibição.

— E o cérebro, que manda a ordem para os olhos trabalharem de forma harmônica, acaba se atrapalhando porque recebe duas informações diferentes sobre a mesma coisa, ao mesmo tempo. Ele não consegue trabalhar bem, é ruim, incômodo — conta Belfort, que explica que há pacientes que acabam fechando uma das vistas ou virando a cabeça para "ficar livre de uma das imagens".

O oftalmologista observa que existem níveis e tipos diferentes de diplopia e que a cirurgia é o mais indicado nestes casos (há a possibilidade também de o paciente usar óculos especial, com prisma, para corrigir o sintoma). Alguns têm dores de cabeça e cansaço. Especialista em Visão Binocular, Diplopia e Estrabismo do Hospital de Clínicas da Unicamp, a oftalmologista Nilza Minguini explana a consequência de tais sintomas no caso de esportistas.

— Uma pessoa com visão dupla pode sentir tonturas e confundir a imagem verdadeira com a falsa. Ela perde a visão de profundidade, o que pode impedir a prática de esportes com bola, como tênis e futebol — disse.

A intervenção é minuciosa, extraocular, com corte na conjuntiva (parte branca que recobre o olho) até o músculo. Há situações em que é necessário operar os dois olhos.

— O operação não é no olho em si, e sim no músculo. É preciso enfraquecer o músculo ou fortalecê-lo. Como se a cirurgia fosse na rédea do cavalo e não no cavalo. Uma charrete não funciona bem quando um cavalo vai para um lado e o outro, na direção oposta. É preciso harmonia — comparou Belfort, que também explicou que é possível, com o tempo, a cirurgia perder o efeito.

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