Freixo diz que PSOL processará Crivella por falsas acusações sobre 'pedofilia nas escolas'

Bernardo Mello
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O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que o PSOL entrará com processo contra o prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) por conta uma live, transmitida na manhã desta quinta-feira, na qual o candidato à reeleição sugeriu de forma caluniosa que o partido socialista tentaria implementar "pedofilia nas escolas". Crivella divulgou a informação falsa ao lado do deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), enquanto aguardava um encontro com o presidente Jair Bolsonaro.

— Você vai ser processado, vai responder na Justiça. Isso é o desespero de quem vai tomar uma surra eleitoral. Você vai sair da prefeitura como um ser rastejante. Você é um ser político rastejante, Crivella — afirmou Freixo.

Na live com Otoni, Crivella afirmou que o PSOL "está com Eduardo Paes", candidato do DEM e seu adversário no segundo turno da eleição à Prefeitura do Rio. O prefeito afirmou ter ouvido, sem apresentar informações que sustentassem a afirmação, que o PSOL "vai tomar conta da secretaria de Educação" numa eventual gestão Paes. Em vídeo transmitido à noite em resposta a Crivella, Freixo negou que o PSOL vá integrar um possível governo Paes e disse que o partido e seus sete vereadores eleitos "farão oposição a ele, uma oposição responsável". O PSOL carioca pregou, em resolução divulgada na quarta-feira, um "não voto" em Crivella.

Ainda na transmissão ao vivo, Crivella dirigiu-se aos evangélicos e acusou falsamente seus adversários de tentar implementar "pedofilia nas escolas".

— O PSOL está com Eduardo Paes. Dizem que vai tomar conta da secretaria de Educação. Você imagina, pedofilia nas escolas? Eu fico imaginando um irmão meu evangélico, metodista, assembleiano, alguém da Universal. Jesus disse que o Reino de Deus é das crianças. Jesus se comparou às crianças. E nós vamos aceitar pedofilia na escola? No ensino infantil? — disse Crivella.

Ao lado do prefeito do Rio, Otoni reforçou as acusações falsas de Crivella, dizendo que "é um risco que estamos correndo se Eduardo for eleito". Otoni é investigado no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF), e já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de difamação, injúria e coação por ter xingado o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito.

Em debate entre os candidatos à prefeitura do Rio no primeiro turno, Crivella já havia disseminado uma informação caluniosa sobre o PSOL ao dirigir-se à candidata do partido, Renata Souza. Na ocasião, Crivella alegou falsamente que "haveria kit gay nas escolas" se o PSOL vencesse a releição, repetindo fake news disseminada pelo então candidato à Presidência Jair Bolsonaro em 2018.

O chamado "kit gay", que nunca existiu, é um nome pejorativo usado para atacar o projeto "Escola sem Homofobia", anunciado pelo governo federal em 2004. O projeto, que não chegou a ser executado, contaria com um caderno, boletins e cartas de apresentação para gestores e educadores. Este conjunto de materiais não incluía nenhum livro ou "kit" estimulando práticas sexuais por crianças, como foi afirmado de forma caluniosa por Bolsonaro na campanha presidencial. Em decisão em outubro 2018, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Horbach determinou a suspensão de posts em redes sociais com a expressão "kit gay", que, segundo a decisão, "gera desinformação no período eleitoral".