Freixo, Neves e Castro adotam discurso conservador em rádio evangélica

Atualmente, quem lidera entre o eleitorado religioso é Cláudio Castro (MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Atualmente, quem lidera entre o eleitorado religioso é Cláudio Castro

(MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

  • Castro, Freixo e Neves apostam em discurso conservador em entrevista à rádio evangélica 93 FM;

  • Candidatos ao governo do RJ se posicionaram contra aborto e temas LGBT+ ;

  • Pautas são caras ao eleitorado de esquerda.

Cláudio Castro (PL), Marcelo Freixo (PSB) e Rodrigo Neves (PDT), candidatos ao governo do Rio de Janeiro à frente nas pesquisas eleitorais, apostaram em discursos conservadores durante as entrevistas concedidas à rádio evangélica 93 FM. Com o objetivo de atrair o eleitorado religioso, os políticos se posicionaram contra o aborto e temas LGBT+ - pautas caras aos eleitores de esquerda.

Até o momento, quem lidera entre os evangélicos é Cláudio Castro, com 42% das intenções de voto no extrato, segundo a pesquisa Ipec divulgada na semana passada. Em seguida, aparece Freixo (14%) e Neves (7%).

O que os candidatos disseram

O primeiro entrevistado pela 93 FM foi Rodrigo Neves, que fez questão de se apresentar como católico nos primeiros minutos de entrevista e destacar que é “casado há 25 anos”. Questionado sobre o aborto, o pedetista disse que “sempre foi contra”.

A sabatina também perguntou ao candidato o que ele pensa sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo – no que Neves disse ser contra a cerimônia religiosa, mas favorável à união civil.

“Em relação aos homossexuais, a gente tem que respeitar as pessoas, não pode admitir violência contra as pessoas. Não podemos ter nenhum tipo de atitude porque Jesus, no evangelho, acolheu os marginalizados. Evidentemente, sou contra o casamento religioso dos homossexuais, agora a legislação prevê a parceria civil. Não precisa ter mudança nessa legislação”, opinou.

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Apoiado pelo eleitorado conservador, Castro se posicionou contra a lei ao reforçar ser “contra qualquer tipo de aborto, inclusive, o legal” e disse que a “questão do estupro, que é uma questão grave, é culpa do estado que não garantiu a segurança para a pessoa”.

“Eu acho que a vida no ventre não pode ser culpada. Temos vários exemplos de moças que não abortaram, que deram para adoção e as crianças receberam um lar. Ela foi gerada por um ato, não de amor, de violência, mas ela (criança) pode ter uma vida de amor”, justificou.

Sobre a pauta LGBT+, o atual governador disse não aceitar “doutrinação ideológica”, mas defendeu políticas de segurança para combater a violência de gênero. “A pessoa homossexual tem o direito de viver o livre arbítrio dela. Ela toma a decisão como ela quiser e ela não pode ser destratada, maltratada, preconceito, violência, de forma alguma. Ela tem que ter os direitos dela. E eu defendo cem por cento isso”, garantiu.

Com discurso moderado, Marcelo Freixo voltou a se posicionar contra a legalização das drogas, seguindo sua nova opinião sobre o assunto, já que no passado era favorável à medida. Ao ser perguntado sobre a questão do aborto, disse que a decisão não compete ao cargo de governador e defendeu um maior número de mulheres “evangélicas, católicas e de todas as religiões” eleitas na Câmara para que o debate sobre o assunto seja ampliado. Pressionado pelo apresentador, admitiu ser contra, exceto em casos previstos em lei.

“Cabe ao governador cumprir a lei que existe diante de cada realidade que se apresenta. São as mulheres que precisam falar e legislar sobre isso, para que essa legislação seja mais justa com elas”, apontou.

Freixo também disse ser contrário “à ideologia de gênero” nas escolas, já que o foco deve ser “aprovar o aluno no Enem”, mas reforçou que a escola “tem que ajudar as famílias e proteger as crianças”, inclusive contra redes de pedofilia.

“A gente não tem controle absoluto sobre o que os filhos estão acessando na internet. A escola tem que ser um lugar que ajuda as famílias a educar, e que as famílias se sintam mais seguras”, ponderou.

Com informações do O Globo