Frequentadores da cracolândia provocam quebra-quebra na região central de SP

*Arquivo* SÃO PAULO, SP - 27.05.2022 - Policiais fazem operação na cracolândia, na região da rua Helvetia, n centro de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP - 27.05.2022 - Policiais fazem operação na cracolândia, na região da rua Helvetia, n centro de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Frequentadores da cracolândia, instalada no quarteirão da rua Helvétia entre a alameda Barão de Campinas e a avenida São João, provocaram tumulto e quebra-quebra na madrugada desta quinta-feira (2) em ruas da região central de São Paulo.

Eles jogaram pedras e objetos em carros que passavam pelas avenidas Duque de Caxias e São João, quebraram vidros, chutaram portas de lojas e colocaram fogo em sacos de lixo espalhados pelas ruas. "Quebra tudo", gritou um deles em vídeo gravado por um morador da região.

O tumulto aconteceu após uma tentativa frustrada de retomar a praça Princesa Isabel, segundo Severino Vasconcelos, delegado titular do 77º DP Santa Cecília.

"Eles querem um espaço para chamar de seu, onde possam ficar e consumir crack. A princípio, houve uma ordem por parte deles [organização criminosa] para mais uma vez se movimentarem para tentar retomar a base na praça Princesa Isabel, mas isso não vai acontecer."

A ordem partiu da organização criminosa que comanda o tráfico dentro do fluxo e que, segundo o delegado, já não conseguem mais vender crack como faziam antes da operação.

A GCM mantém agentes em ronda no perímetro dos antigos endereços da cracolândia, as praças Júlio Prestes (antiga cracolândia) e Princesa Isabel (último endereço antes da Helvétia). A presença dos agentes no local frustrou os planos de retomada da Princesa Isabel pelo fluxo.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse em entrevista coletiva nesta quinta que a cidade, em conjunto com o estado, enfrenta uma "guerra contra o crack". Assim como Vasconcelos, Nunes atribui o tumulto na noite de quarta a uma reação do crime organizado às operações policiais.

"Com relação ao movimento que teve a noite, temos que entender que há um crime organizado por trás disso, orquestrando uma situação de desordem. A população de São Paulo precisa entender que estamos em um enfrentamento. Estamos em uma guerra contra o ​crack."

Moradores de prédios localizados em bairros como Campos Elíseos e Santa Cecília registraram a movimentação por meio de vídeos, fotos e relatos sobre o ocorrido. Em um dos vídeos, uma moradora chega a rezar pedindo que os dependentes químicos não quebrassem nada.

Segundo um morador da rua Helvétia, a movimentação começou por volta das 23h30, quando uma suposta liderança do grupo determinou que todos saíssem do novo fluxo da cracolândia. "Vamo bora", disse o homem.

Em poucos minutos todos obedeceram e seguiram em direção à avenida São João, no início sem gritaria e confusão.

"A rua ficou deserta. Todos os dependentes se foram e por alguns minutos a paz prevaleceu", disse o morador. Por segurança, ele prefere não ser identificado.

No vídeo é possível ouvir o barulho de vidro se quebrando, gritos e sons de carros e motos acelerando. Em uma das filmagens, vê-se um motoqueiro tentando desviar do grupo para escapar dos ataques a veículos que passavam pelo local.

De acordo com essa testemunha, a polícia impediu que o grupo caminhasse em direção à praça Princesa Isabel, onde ficava a cracolândia antes da operação realizada na madrugada do dia 11 de maio. Eles voltaram para a rua Helvétia e nesse retorno ocorreu a confusão.

"Eu estava deitado para dormir quando ouvi gritos e barulho de pedras sendo jogadas", conta a professora Rebeca Drago, 31, moradora da avenida São João. Da janela, ele viu os frequentadores da cracolândia se deslocando. "Gritavam para deixar eles em paz, diziam que queriam paz".

Rebeca testemunhou também o desespero de motoristas que passavam pela avenida. Vários carros entraram na contramão para fugir do tumulto. Veículos estacionados viraram alvo de pedras e tiveram vidros quebrados.

"Estou tomada de ansiedade, desespero e tristeza em ver tanta violência", disse a professora, que não conseguiu dormir após presenciar o quebra-quebra.

Também moradora da avenida São João, a jornalista Fernanda Martins, 33, começou a ouvir barulho de buzinas e gritaria pouco depois da meia-noite

"Eles estavam muito alterados, batendo na porta dos comércios, ouvi barulho de vidro sendo quebrado", relata. "Chegaram a se espalhar pela rua e a fechar rapidamente a São João. Teve carro que deu ré e outros pisaram fundo".

Após a confusão, os usuários de drogas voltaram para a Helvétia. "Aqui de casa eu ouço: oh a maconha", disse, às 2h, o morador que presenciou o tumulto do início ao fim durante a madrugada.

Na manhã desta quinta (2), a reportagem passou pelos locais onde foram registrados tumultos, mas não encontrou sinais de carros ou vidraças quebradas nem de arrombamentos.

Um funcionário de uma lanchonete que fica na avenida Duque de Caxias disse que sequer chegou a abaixar as portas durante a noite desta quarta. Ele explicou que, apesar do tumulto, não houve tentativa de depredar o local em que trabalha nem de o invadir.

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