Frigobar, sofá e TV: O que tem na sala onde Anderson Torres está preso

Ex-ministro da Justiça tem direito à prisão especial por ser da PF

Anderson Torres foi preso no dia 14 de janeiro (AFP)
Anderson Torres foi preso no dia 14 de janeiro

(AFP)

A sala onde Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, está preso conta beliche, frigobar e, em breve, poderá ter instalada televisão e micro-ondas. Ele se encontra na Sala de Estado Maior, no 4º Batalhão da Polícia Militar, no Guará (DF)

O ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do DF tem direito à prisão especial por ser delegado da Polícia Federal. Torres atua na corporação desde 2003, ou seja, há 20 anos.

O que Torres tem na prisão?

Segundo relatório obtido pela TV Globo, há:

  • Beliche;

  • Antessala com sofá em “péssimo estado de conservação (assento rasgado)”

  • Mesa com 4 cadeiras;

  • Acesso a armários abertos;

  • Acesso a banheiro que mede cerca de 1,5m por 2,5m;

  • Alojamento adjacente com frigobar;

  • Autorização para instalar micro-ondas e TV.

Na terça-feira (17), Torres pôde conversar com uma psicóloga. Segundo pessoas próximas, ele está “abalado” e “angustiado” desde que recebeu a ordem de prisão.

Segundo o Ministério Público, não é permitido:

  • Usar dispositivos eletrônicos;

  • Usar terminais de comunicação externos; ou

  • Ter contato com outras pessoas que não sejam os PMs de guarda, os advogados e os familiares, em dias de visita preestabelecidos.

O corredor de acesso à Sala Maior onde se encontra o ex-ministro tem policiamento em guarda 24 horas por dia para controle de acesso e foi isolado.

Além de Torres, o ex-comandante-geral da PM do Distrito Federal, Fábio Augusto Vieira, está no 4º Batalhão, em outra cela. Ele também tem direito à prisão especial por ser militar.

Por que Torres foi preso?

Ele é acusado de ter facilitado os atos terroristas no Distrito Federal no dia 8 de janeiro e sabotado o esquema de proteção montado para evitar os ataques.

Torres não estava em Brasília no momento da invasão e depredação da sede dos Três Poderes. Como secretário de Segurança do DF, era a maior autoridade em segurança da capital depois do governador Ibaneis Rocha (MDB), afastado por ordem de Moraes.

Em despacho que determina a prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que houve “descaso” e “conivência”.

O que diz Torres?

O político afirma que:

  • Sempre se pautou pela ética;

  • Nunca se omitiu ou agiu para prejudicar o esquema de segurança do dia 8;

  • Pretendia destruir a minuta golpista encontrada em sua casa – documento que complicou ainda mais sua situação.

Nesta quarta-feira (18), Anderson Torres teve a chance de prestar depoimento à PF, mas decidiu ficar em silêncio durante toda a abordagem dos policiais no 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

A equipe da PF chegou ao local por volta das 10h30, mas saiu pouco depois, às 12h, após ouvir do ex-ministro que não tinha declarações a dar aos agentes.