Frio histórico: o que se sabe sobre as 3 pessoas que morreram nas madrugadas mais geladas em 5 anos em SP

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Morador de rua se abriga do frio em 28 de julho em SP
Morador de rua se abriga do frio em 28 de julho, que registrou início de baixas históricas de temperatura em SP

A drástica queda de temperaturas em São Paulo tem sido duramente sentida por quem vive nas ruas da maior cidade do país. A madrugada de sexta-feira (30/7) foi a mais fria dos últimos 5 anos, com termômetros marcando 4,3ºC no mirante de Santana, na zona norte.

Nos últimos três dias, ao menos três mortes foram registradas pelas equipes que acompanham estas pessoas, informa à BBC News Brasil o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua.

Às 23h de quarta-feira (28/7), um homem de 65 anos foi encontrado morto na rua Araguaia, no bairro do Pari, no centro de São Paulo, informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Na quinta-feira (29/7), uma das vítimas, segundo Júlio Lancellotti, era um homem que morreu na Vila Prudente, bairro da zona leste da capital.

Nesta sexta-feira, um homem de 37 anos também foi encontrado morto na Bela Vista, também no centro da capital paulista.

"Contudo, é importante esclarecer que não há como confirmar se a vítima era morador de rua, já que trabalhava na região", diz a nota da secretaria.

"Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e no local encontraram uma viatura do Samu (de atendimento a emergências) que realizava o atendimento à vítima, constatando o óbito." Os três casos serão investigados como "morte suspeita".

O padre Júlio Lancellotti diz que não há dúvidas, pelas informações disponíveis, de que as três mortes foram decorrentes do frio intenso. Embora a hipotermia em si não seja necessariamente a causa de um óbito, ela potencializa problemas como infartos ou outros males de saúde prévios, diz o padre.

Frio recorde

Meteorologistas de diversos órgãos anunciaram que a chegada de uma forte massa de ar polar no país começou a causar uma queda histórica nas temperaturas em todas as regiões do Brasil.

A previsão é de que as temperaturas historicamente geladas se repitam nos próximos dias, despertando preocupação entre quem dá assistência às populações de rua.

Termômetro marcando 5°C na região da av Paulista, em 28 de julho
Termômetro marcando 5°C na região da av Paulista, em 28 de julho; frio deve se manter na madrugada de sexta

"(Na noite de quarta) tivemos mais de 50 agentes da Pastoral circulando pela cidade (para dar assistência aos moradores de rua), e vão estar nas ruas nesta noite também", diz Lancellotti.

A Paróquia de São Miguel Arcanjo, onde ele é pároco, abrigou 20 pessoas na última noite. A estação Dom Pedro 2º do metrô paulista, que pela primeira vez foi aberta para acolher moradores de rua, recebeu outras 50 pessoas.

Segundo Lancellotti, o local tem espaço para 400 pessoas, "mas ainda é uma coisa nova para uma população que geralmente sequer pode entrar no metrô", então a expectativa é de aumentar a ocupação do local à medida que ele se torne mais familiar aos moradores de rua.

O Centro de Convivência São Martinho, na região do Belenzinho (Centro), abriu mais 40 vagas na última noite.

Diversas organizações se mobilizaram para ajudar a população desassistida neste período de frio histórico.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social do governo paulista afirmou ter entregue, na manhã de quinta, 7,5 mil cobertores, mil sacos de dormir e 2 mil pares de meias para entidades, a serem distribuídas à população de rua.

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