Fronteira Gaza-Egito reabre por tempo indeterminado

Yahya HASSOUNA
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Muitos palestinos correram para a travessia Gaza-Egito quando ela foi reaberta inesperadamente em 9 de fevereiro de 2021

Cansados dos "repetidos fechamentos" da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, os palestinos esperam que sua reabertura por um período "indefinido" anunciada nesta terça-feira (9) pelos egípcios seja pra valer.

O posto de fronteira de Rafah tem sido há vários anos a única saída para o mundo exterior - com exceção da passagem com Israel - para os dois milhões de habitantes de Gaza, um território palestino sob o controle dos islamitas do Hamas.

Este movimento armado tem ligações com a Irmandade Muçulmana, que esteve no poder no Egito até sua derrubada em 2013 pelo atual presidente Abdel Fattah al-Sissi.

As autoridades egípcias mencionam, em particular, razões de segurança para justificar o fechamento de Rafah, além dos temores de saúde com a pandemia de covid-19.

Mais de 52.740 pessoas infectadas foram contabilizadas em Gaza, incluindo cerca de 530 mortes. No Egito, cerca de 170.210 casos foram detectados, incluindo quase 9.700 mortes.

O posto de fronteira de Rafah permaneceu fechado a maior parte do tempo desde o início da crise sanitária para limitar a propagação do coronavírus, criando dificuldades para quem deseja sair ou retornar ao enclave, em particular para ver suas famílias.

Mas nesta terça-feira, quando a classe política palestina se reunia no Cairo para conversas importantes sobre a realização das primeiras eleições palestinas em quinze anos, as autoridades egípcias anunciaram sua reabertura.

"Abriram hoje (terça-feira) a travessia de Rafah por tempo indeterminado, pela primeira vez em anos", indicou uma autoridade egípcia da segurança, sob condição de anonimato.

"Esta não é uma abertura comum. Normalmente, a passagem é aberta por três ou quatro dias. (Desta vez) acontece enquanto o diálogo nacional palestino ocorre no Cairo", acrescentou.

Esta manhã, muitos habitantes de Gaza se aglomeraram na passagem de Rafah, constatou uma equipe da AFP.

"Faz seis meses que espero a passagem reabrir. Esses repetidos fechamentos me fizeram perder meu primeiro semestre na universidade", disse à AFP Ibrahim al-Chanti, prestes a cruzar a passagem.

"Espero que fique aberta permanentemente", acrescentou o estudante de 19 anos.

Yasser Zanoun, outro viajante, enfatizou a urgência da situação em Gaza. Segundo ele, a passagem deve ficar "aberta 24 horas por dia o ano todo, (porque) estamos enfrentando graves crises de saúde".

Sob bloqueio israelense desde a tomada do poder em Gaza pelo Hamas - agora em discussões com seu rival Fatah para realizar eleições nos Territórios Palestinos - a Faixa de Gaza tem infraestrutura limitada e sofre de desemprego endêmico (50%).

Mas as autorizações de trabalho em Israel são limitadas em circunstâncias normais e foram suspensas desde o início da pandemia, e com a passagem de Rafah fechada quase o tempo todo, os jovens de Gaza dificilmente puderam deixar o enclave nos últimos meses para tentar encontrar trabalho em outro lugar.

O mesmo problema para os doentes em estado grave, em particular os pacientes com câncer, que muitas vezes precisam deixar Gaza para se tratar.

Para Mohammed Abdo, de 34 anos, que se preparava para ir ao Egito nesta terça-feira, a abertura não deve ser temporária: "Pedimos à delegação nas negociações no Cairo que faça pressão para que a fronteira fique aberta, para que a vida possa ser vida, ou seja, com dignidade e saúde".

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