Frota reafirma rede de fake news pró-Bolsonaro: 'tentam desqualificar aqueles que não concordam com o presidente'

Alexandre Frota depõe na CPI das Fake News - Foto: Reprodução/TV Câmara
Alexandre Frota depõe na CPI das Fake News - Foto: Reprodução/TV Câmara

Outrora um grande cabo eleitoral do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), o agora tucano Alexandre Frota (PSDB-SP) deixou o partido do presidente há dois meses. A partir daí, ele se tornou um dos maiores críticos do governo federal. Na última quarta-feira (30), Frota esteve na CPMI das Fake News e disse que o presidente da República protege e financia ‘terroristas virtuais’.

Desta vez, em entrevista ao portal UOL, ele reforçou suas afirmações e deu mais detalhes sobre as acusações. Segundo Frota, há uma rede de produção de notícias falsas e ataques virtuais coordenados operando em gabinetes de deputados federais e estaduais.

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Essa rede seria comandada pela família Bolsonaro, pelo escritor Olavo de Carvalho e pelo jornalista Allan dos Santos, dono da página Terça Livre, um dos veículos que mais apoiam o governo nas redes sociais.

“Comecei a ter conhecimento a partir de maio da existência de dois ou mais gabinetes que abrigam os milicianos digitais, militantes da extrema-direita, travestidos hoje de assessores parlamentares. Estão, hoje, com suas credenciais, suas carteiras, recebendo um bom salário para atuarem dentro dos gabinetes. A gente já tem algumas suspeitas bem positivas de onde eles podem estar abrigados”, disse o deputado que admitiu estar conduzindo uma investigação por conta própria sobre a suposta rede de ataques virtuais.

De acordo com Frota, Allan dos Santos ou Olavo de Carvalho escolhem o alvo, dão “a primeira pancada” e, a partir daí, programadores organizam publicações em redes sociais como Twitter, Instagram e Facebook, que acabam replicadas por mais outros perfis.

"Existe uma ala orgânica, iludida, que acha que este é o caminho. E tem também os credenciados, remunerados e abrigados na Alesp, na Alerj, na Câmara dos Deputados e até no Senado”, diz Frota.

O tucano não crava se o presidente da República participa da organização da rede. “Se o presidente atua na elaboração, coordenação das redes e distribuição de fake news, isso eu não sei. Mas que ele publica na conta dele uma série de coisas, como o vídeo do leão. Quantas vezes neste ano ele mesmo já falou que foi o Carlos [Bolsonaro] que publicou e depois ele pede desculpa?", questionou.

Ele questiona também o acesso quase irrestrito do jornalista Allan dos Santos aos corredores mais importantes de Brasília. “O CPF dele e o CNPJ do Terça Livre não constam na Segov [Secretaria de Governo] e Secom [Secretaria de Comunicação] do governo federal. O que acreditamos é que existe uma empresa contratada e que terceiriza o Allan dos Santos. Por isso ele não aparece. Mas quem paga aquela mansão? Quem paga o carro Corolla, que está alugado? Está em nome de quem o carro? Por que ele mora em Brasília? Como ele consegue andar credenciado dentro da Câmara e ao lado do presidente todas as horas que ele quer? Como ele consegue os melhores ângulos nas entrevistas do presidente? São perguntas que ele provavelmente vai ter que responder".

Ex-membro do PSL, Frota diz que nunca se beneficiou de divulgação de notícias falsas e garante que sempre foi “independente”. Algo que, segundo ele, seus ex-colegas não o são.

"Eles trouxeram das ruas essa opressão, esse ódio. Eles tentam desqualificar aqueles que não concordam com o Bolsonaro, com o Olavo de Carvalho. Fazem ataques brutais, assassinatos de reputações, humilhações".