Frustrada, campanha de Lula planeja reunião de arrumação e mapeia apoios

Lula e Janja na av. Paulista

Por Lisandra Paraguassu

São Paulo (Reuters) - Um resultado muito mais apertado do que o esperado, de cinco pontos percentuais --diferente das principais pesquisas de intenção de voto-- frustrou a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que até esta manhã ainda apostava em uma vitória pequena, mas possível, no primeiro turno.

"Houve uma clara movimentação de votos no Sudeste, além do que as pesquisas e mesmo a campanha conseguiu antecipar", disse uma das fontes ouvidas pela Reuters.

A avaliação dentro do PT foi que o voto útil para Bolsonaro foi antecipado para esse primeiro turno, especialmente no Sudeste, em que os resultados foram bem piores do que o captado pelas pesquisas.

O maior exemplo disso foram os números de São Paulo, em que Fernando Haddad, que liderava os levantamentos, terminou atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato de Bolsonaro no Estado. E a eleição do ex-ministros Marcos Pontes (PL) para o Senado, quando Marcio França liderou todas as pesquisas eleitorais.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, o momento agora será de replanejar a campanha. Uma reunião de coordenação está prevista para a segunda-feira. A intenção é calcular de onde será possível encontrar novos apoios para garantir no segundo turno a vitória sobre Bolsonaro --uma das fontes afirma que a conversa com o MDB de Simone Tebet já começou.

"Claramente o bolsonarismo foi subestimado", avaliou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Em sua fala ao final da apuração, Lula tentou mostrar animação. Lembrou que nunca ganhou uma eleição no primeiro turno, e que é preciso lembrar onde ele estava quatro anos atrás: preso e declarado morto para a política.

"Para a gente avaliar bem o que está acontecendo hoje a gente tem que lembrar o que estava acontecendo há quatro anos. Eu era tido como se fosse um ser humano jogado fora da política", disse Lula. "Quero dizer que nós vamos ganhar essas eleições. Isso para nós é apenas uma prorrogação."

Reunidos em um hotel no centro de São Paulo, Lula e os integrantes da sua campanha acompanharam a votação com certa tranquilidade e, apesar do início favorável a Bolsonaro, apostavam em uma virada com a entrada dos votos do Nordeste --o que de fato aconteceu, mas em uma proporção menor do que o esperado.

De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, a apuração foi tensa até o momento em que a distância entre Lula e Bolsonaro se ampliou um pouco. A preocupação apareceu especialmente quando saíram os resultados estaduais e governadores, senadores e deputados do partido tiveram resultados piores do que o esperado, especialmente fora da região Nordeste.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu. Edição de Flávia Marreiro)