Fuga em iate e van de refugiados: como gaúcho foragido da Interpol preso no RJ retornou ao país; vídeo

Preso no último domingo em um restaurante na praia da Barra da Tijuca, o gaúcho Fernando Luiz Doval Júnior, até então tido como o foragido mais procurado do Rio Grande do Sul, é investigado pela polícia do estado por comandar um esquema que trazia cargas de cocaína para o Brasil por vias áreas. Desde meados de 2022, ele geria a operação diretamente da Flórida, nos Estados Unidos.

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Recém-chegado ao país, Doval retornou ao Brasil clandestinamente, pela fronteira com a Venezuela, após deixar os EUA em um iate. A prisão dele foi feita em um restaurante próximo ao condomínio de casas de luxo no qual ele estava morando com a família desde então, no Rio de Janeiro.

— A ação inteira foi de alto risco. Como ele tem experiência não só como piloto aéreo, mas automobilístico, sabíamos que a abordagem não poderia ser feita com ele em um carro — explica o delegado Gabriel Borges da 3ª Divisão de Investigações do Narcotráfico (DIN) do RS.

A operação para capturar Doval foi montada no final de semana pelos polícias do Rio Grande do Sul, que ficaram acompanhando os passos do foragido. Uma oportunidade de efetuar a prisão surgiu quando o homem foi almoçar com familiares. À paisana, com camisas de times como Fluminense, Flamengo e Botafogo, os polícias entraram no estabelecimento e detiveram o homem. Veja abaixo:

Fernando Doval retornou ao Brasil após as forças policiais solicitarem a entrada de seu nome na lista de foragidos da Interpol, no segundo semestre do ano passado. Em novembro, ele tentou embarcar em um avião na cidade de Orlando, nos EUA, mas deixou o aeroporto às pressas após perceber que estava sendo monitorado. Doval abandonou as malas no local e não foi mais localizado. Segundo o delegado Gabriel Borges, ele montou um plano para entrar no Brasil sem ser visto.

Dias antes de ser preso neste domingo, ele havia deixado a Flórida a bordo de um iate que deixou o estado americano rumo ao Brasil, passando pelo Caribe e pelas Bahamas. A embarcação foi abandonada na costa da Guiana quando Doval percebeu a movimentação de policiais do país em sua direção. O traficante escapou em um bote e seguiu em direção à Venezuela. Lá, entrou no Brasil pela fronteira de Roraima, escondido em uma van de refugiados. De volta ao território nacional, seguiu para Campinas e, depois, para o Rio de Janeiro, seu destino final.

Operador logístico

De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Doval é uma das lideranças da principal facção criminosa do estado. Nos últimos meses, ele foi o responsável por trazer para dentro das fronteiras brasileiras cerca de 400 kg de cocaína peruana semanalmente.

— Ele inaugurou essa rota de tráfico aéreo. Qualquer avião com cocaína que entra nessa região vai pela dele. Ele que coordena a logística — apontou o delegado.

A carreira de Doval no meio criminoso começou há 10 anos através de pequenos casos de estelionato, ainda de acordo com a polícia gaúcha. Laços de amizade e família o levaram a se aproximar das lideranças do tráfico de drogas da região, e ele acabou por ascender no grupo. Piloto de avião, Doval se tornou responsável por trazer os carregamentos de cocaína de Bolívia e Peru para dentro do Brasil.

O esquema, no entanto, não se limitava a isso. O grupo teria ainda, por exemplo, ligações com a organização mexicana Cartel de Sinaloa. Segundo a polícia, lavagem de dinheiro através de pedras preciosas e o tráfico de armamento pesado também estão entre as atividade criminosas da facção:

— Pedras preciosas por serem pequenas, de muito valor e de difícil rastreabilidade são muito utilizadas para lavar dinheiro do tráfico — explica o delegado Gabriel Borges. — Os armamentos vinham do Paraguai. Armamento pesado, como fuzis, submetralhadoras.

A organização criminosa foi alvo de uma operação da polícia em abril de 2022, quando foram apreendidos 38 imóveis e 115 veículos. Doval chegou a ser preso, mas obteve um habeas corpus e foi solto. Após esse episódio, ele se mudou para os Estados Unidos, onde abriu uma empresa de aluguel de carros. Segundo a polícia, o negócio era uma fachada para lavagem de dinheiro do tráfico, que o homem continuava a comandar.