'Fui desenganada. Tive infecção generalizada', diz outra vítima que fez procedimento estético em clínica onde diarista morreu

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RIO — Uma das pacientes operadas pelo médico Brad Alberto Castaillon SanMiguel, a promoter Daiana França esteve na 27ª DP (Vicente de Carvalho), onde prestou depoimento, nesta segunda-feira, no inquérito que apura a morte da diarista Maria Jandimar Rodrigues, de 39 anos. Maria foi encontrada sem vida, na última sexta-feira, no estacionamento de um centro comercial, pouco depois de iniciar um procedimento estético com o médico. Com sequelas, como dificuldades para andar e uma incisão ainda aberta, decorrentes de uma infecção generalizada, a promoter contou que tudo começou após se submeter a um procedimento com Brad Alberto no último dia 4 de novembro:

— Fiz o procedimento dia 4 de novembro. Com certeza poderia ter acontecido comigo o mesmo que aconteceu com a Maria, porque eu fui desenganada. A cada dia não sabia se iria viver ou morrer. Tive infecção generalizada. No hospital (onde foi atendida) foi comentado que o material utilizado no procedimento estético não estava esterilizado de forma correta.

Daiana disse ainda que mais vítimas devem dar parte do médico nos próximos dias.

— Espero que ele pague pelo que fez. A Maria não teve a mesma sorte que eu tive (de sobreviver). Ainda não estou recuperada, não estou cem por cento. Estou com sequelas e uma incisão aberta — completou.

O delegado Renato Carvalho, da 27ª DP, disse ter sido informado pelo médico que a clínica estava se mudando para um lugar maior e que na sexta-feira, dia 17, seria a última data de funcionamento. Fechado desde então, o estabelecimento foi periciado pela Polícia Civil nesta segunda-feira. De acordo com o delegado, o laudo preliminar cadavérico não conseguiu descobrir o que teria causado a morte de Maria.

— O laudo preliminar não deu margem para definir a causa da morte. O médico (legista) não encontrou nenhum tipo de situação (indícios da causa da morte). Então, quando isto acontece, é normal que se faça um exame das vísceras. Este exame dará à perícia maiores dados para dizer exatamente o que aconteceu — disse o delegado.

Também foram ouvidos Wagner Vinicius Morais de Carvalho, de 33 anos, e Brenda Rodrigues, de 21, respectivamente, viúvo e filha da diarista. Antes ser ouvido, Wagner frisou que sua família está em busca de justiça.

— Hoje a gente veio aqui em busca de justiça pelo o que aconteceu com minha esposa. Quero que outras mulheres não sejam vítimas deste médico. Que ela seja a última — disse Wagner, que tinha um relacionamento com Maria Jandimar há seis anos.

Na última sexta-feira, Brenda chegou a gravar o socorro à Maria sem saber que a paciente era sua mãe. Ela contou que o médico e a equipe da clínica esconderam que a paciente tinha saído passando mal depois do procedimento.

O corpo de Maria Jandimar Rodrigues foi enterrado neste domingo, no Cemitério de Inhaúma.

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