Porta-voz do vice-presidente dos EUA testa positivo para a COVID-19

Por Sebastian Smith
Katie Miller e seu marido, Stephen Miller, em 20 de setembro de 2019 na Casa Branca.

Katie Miller, porta-voz do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, foi diagnosticada com o novo coronavírus, informaram fontes oficiais nesta sexta-feira (8), enquanto Donald Trump continua a participar de eventos oficiais sem máscara.

As notícias de que Katie Miller ficou doente levantaram temores de que a Casa Branca esteja em risco de se tornar um foco do vírus, num momento em que Trump lidera esforços para reduzir as medidas de confinamento que devastaram a maior economia do mundo.

Miller, como porta-voz de Pence, tem acesso a reuniões de alto nível. Ela também é esposa de um dos principais conselheiros de Trump, Stephen Miller, arquiteto da política anti-imigração do presidente.

Mais cedo, um funcionário do alto escalão do governo disse que seis pessoas que poderiam ter tido contato com um infectado pela COVID-19 -que viria a ser Katie- e que deveriam viajar com Pence tiveram que deixar o avião antes da decolagem da Base Andrews, perto de Washington.

"Como medida de precaução, revisamos todos os contatos recentes da pessoa", disse o funcionário, que pediu para não ser identificado.

"É por isso que pedimos a alguns de nossos funcionários que deixassem o avião. Ninguém mais apresentou sintomas da doença. Pedimos que eles fossem testados e voltassem para casa como precaução", acrescentou.

Na quinta-feira, a Casa Branca informou que um membro das Forças Armadas que está em estreito contato com o presidente testou positivo para o novo coronavírus.

Trump e Pence foram testados e os resultados foram negativos. Ambos são examinados diariamente.

A secretária de imprensa da Presidência, Kayleigh McEnany, disse que não havia risco de um surto na Casa Branca ou uma ameaça a Trump.

"Tomamos todas as precauções para proteger o presidente", declarou em entrevista coletiva.

A última aparição pública de Trump foi na manhã desta sexta-feira, em uma cerimônia pelo 75º aniversário da vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

O presidente, de 73 anos, que pertence ao grupo de maior risco para a COVID-19, teve um encontro com oito veteranos de guerra com idades entre 96 e 100 anos.

Nem ele, nem os veteranos usavam máscaras, embora o presidente permanecesse a alguns passos deles.

Segundo McEnany, os veteranos "escolheram colocar seu país em primeiro lugar. Eles queriam estar com seu comandante-em-chefe neste dia importante. Foi uma decisão deles virem aqui".

Usar a máscara é uma questão puramente pessoal, acrescentou.

No início desta semana, Trump esteve numa empresa que produz respiradores no Arizona.

O presidente visitou as instalações sem máscara, ao contrário dos funcionários da fábrica que usavam máscaras, seguindo os procedimentos de segurança da empresa.