Funcionários alertaram sobre conversas entre Casa Branca e Ucrânia em julho

O presidente Donald Trump está sob ameaça de impeachment por pressionar a Ucrânia

Dois funcionários da área de segurança nacional da Casa Branca alertaram sobre a pressão inapropriada dos Estados Unidos sobre a Ucrânia, muito antes do telefonema do presidente Donald Trump para seu colega ucraniano Volodimir Zelenski, de acordo com depoimentos divulgados nesta sexta-feira (8).

Fiona Hill e Alexander Vindman disseram aos investigadores da Câmara dos Representantes que em 10 de julho relataram preocupações ao advogado da Casa Branca John Eisenberg sobre os principais aliados de Trump que pressionaram Kiev em troca de ajuda política para o presidente americano, duas semanas antes da conversa por telefone entre os líderes dos dois países.

Hill garantiu que seguiu as instruções do então conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, que se opôs fortemente aos esforços para buscar informações prejudiciais na Ucrânia sobre os adversários democratas de Trump.

Tanto ela como Vindman declararam que o chefe de gabinete interino da Casa Blanca, Mick Mulvaney, e o embaixador designado por Trump na União Europeia, Gordon Sondland, estavam pressionando a Ucrânia para investigar Joe Biden, pré-candidato democrata às eleições presidenciais de 2020.

Garantiram que Sondland pressionou as autoridades ucranianas nas reuniões realizadas em 10 de julho por uma investigação centrada em Biden em troca de um encontro de cúpula entre Trump e Zelenski.

Bolton ficou furioso e interrompeu a primeira reunião naquele dia, disse Hill.

Mas Sondland participou de uma segunda reunião, dizendo que eram políticas estipuladas por Mulvaney, o principal assessor de Trump no Salão Oval.

"Diga a Eisenberg que não sou parte de nenhum negócio de drogas que Sondland e Mulvaney estão preparando", afirmou Hill sobre o que Bolton lhe disse.

No entanto, em 25 de julho, Trump entregou a mesma mensagem a Zelenski: que a cooperação, incluindo uma reunião e ajuda militar, poderia estar condicionada ao início das investigações da Ucrânia exigidas pela Casa Branca.

Hill, que era a principal diretora do Conselho de Segurança Nacional da Europa e Rússia na época, e Vindman, especialista em Ucrânia que trabalhava para ela, disseram que participaram de uma reunião em 10 de julho com autoridades ucranianas no escritório de Bolton na Casa Branca.

Sondland e o secretário de Energia dos Estados Unidos, Rick Perry, também estiveram presentes na reunião.