Funcionários da editora da autobiografia de Woody Allen fazem protesto contra publicação da obra

RIO — Um grupo de funcionários da editora francesa Hachette fez um protesto contra a decisão da empresa de publicar um livro de memórias do diretor Woody Allen. No ato, dezenas de pessoas deixaram o escritório da companhia em Nova York e afirmaram que a editora não está ouvindo suas preocupações sobre apoiar o cineasta que é acusado de abuso sexual.

O selo editorial Grand Central, que pertence a Hachette, anunciou nesta semana que a autobiografia será lançada no dia 7 de abril. A empresa não divulgou quanto irá pagar a Allen pela publicação. O acordo financeiro, aliás, foi um dos motivos apontados por funcionários como motivo do incômodo com a publicação.

— Todo mundo tem o direito de responder à alegações contra si mesmo. Mas, temos que pagar a eles, Deus sabe o quanto fazer isso? — indagou um dos manifestantes ao jornal "The Guardian" sem se identificar — Todos devem assumir a responsabilidade por suas ações.

Segundo a "Variety", o protesto juntou cerca de 75 funcionários da editora. Eles também manifestram apoio a Ronan Farrow que criticou duramente o anúncio da publicação do livro de memórias do cineasta e afirmou que deixará de publicar suas obras pela Hachette, porque não deseja estar no mesmo grupo editorial do pai.

O jornalista afirma que a editora não entrou em contato com sua irmã, Dylan Farrow, que acusa Woody Allen de abusos, o que constitui segundo ele uma "falta enorme de profissionalismo".

Desde o início do movimento #MeToo, em outubro de 2017, voltaram à tona as acusações contra Woody Allen de ter abusado sexualmente de sua filha adotiva Dylan Farrow, quando ela tinha sete anos. Após duas investigações distintas nos anos 1990, o promotor responsável pelo caso decidiu não indiciar o cineasta, mas declarou publicamente que suspeitava de Woody Allen.