Opaq está preocupada com suposto ataque químico na Síria e reúne informações

Bruxelas, 4 abr (EFE).- A Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) manifestou nesta terça-feira sua "grave preocupação" com o suposto ataque químico contra a cidade de Khan Sheikhoun, em Idlib, no norte do país, e garantiu que está reunindo e analisando informações sobre o ocorrido.

"A OPAQ está gravemente preocupada", declarou a organização, cuja sede fica em Haia (Holanda) em comunicado, no qual destacou que sua missão de busca "está em processo de reunir e analisar informações de todas as fontes disponíveis".

Essa equipe remeterá um relatório ao Conselho Executivo da Opaq e aos Estados-parte da Convenção sobre Armas Químicas, acrescentou a organização.

A Opaq condenou "firmemente" a utilização de armas químicas "sob qualquer circunstância" e lembrou que essa Convenção proíbe o uso, o desenvolvimento, a produção, o armazenamento e a transferência desse tipo de armamento.

A Convenção considera qualquer produto químico utilizado em uma guerra como "arma química".

A missão de busca de ocorrências da Opaq foi criada em 2014, em resposta às persistentes alegações de ataques com armas químicas na Síria.

Seu trabalho consiste em estudar toda a informação disponível relacionada com o suposto uso dessas armas na Síria.

Desde maio de 2014, a organização enviou sua missão a esse país árabe e ao exterior em várias ocasiões e manteve os Estados-parte informados sobre seu trabalho.

Essa equipe se encarrega de entrevistar testemunhas no terreno e de recolher amostras e evidências físicas para analisá-las.

A Opaq e o Conselho de Segurança da ONU aprovaram em 2015 a operação contínua da missão, que estabeleceu os fatos sobre as alegações de uso de armas químicas tóxicas na Síria e confirmou que estas efetivamente tinham sido empregadas.

Suas revelações servem de base para o trabalho do Mecanismo Conjunto de Investigação Opaq-ONU (JIM, na sigla em inglês), um corpo independente estabelecido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2015 para identificar os responsáveis pela utilização de armas químicas.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que citou fontes médicas e ativistas, pelo menos 58 pessoas - entre elas 11 menores - morreram e dezenas ficaram feridas em um suposto bombardeio químico em Khan Sheikhoun.

Esta cidade tem cerca de 75 mil habitantes, muitos deles deslocados procedentes da província vizinha de Hama, que está sob controle do Exército Livre Sírio. EFE