Funcionários são presos por compra superfaturada de hospitais de campanha em Honduras

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Marco Antonio Bogran Corrales, ex-diretor executivo de Investimentos Estratégicos de Honduras (INVEST-H), é conduzido por membros da Agência Técnica de Investigação Criminal (ATIC), acusado dos crimes de fraude e abuso de autoridade, em Tegucigalpa, em 9 de abril de 2021

Dois funcionários públicos foram presos em Honduras após serem acusados de superfaturar a compra de sete hospitais de campanha para atender emergências em casos de covid-19 que nunca funcionaram, informaram as autoridades judiciais nesta sexta-feira (9).

O ex-diretor executivo e o ex-administrador do gabinete de compras governamentais, Marco Bográn e Alex Moraes, respectivamente, foram detidos acusados dos crimes de fraude e desvio de dinheiro público, informou o procurador-geral do Estado, Óscar Chinchilla. Ambos são agora processados em um tribunal anticorrupção.

Bográn e Moraes, ex-funcionários de Investimento Estratégico de Honduras, adquiriram à vista três hospitais com 91 leitos cada e outros quatro com 51 leitos. As transações ocorreram em 19 de março e 2 de abril de 2020, por mais de 47 milhões de dólares, na Turquia.

De acordo com as informações fiscais, o intermediário foi Alex López, da empresa Hospitais Móveis, com residência em Miami, Flórida, nos Estados Unidos.

As compras foram "efetuadas fora do que a lei estabelece", pois foram realizadas "sem garantias de qualidade, cumprimento da manutenção de oferta, sem prazo fixo de instalação e sem observar a garantia de pagamento antecipado", pagando 100% do custo, segundo Chinchila.

"Os laudos biomédicos são conclusivos: o equipamento médico não só é superfaturado, mas também não cumpre a função de ser útil para os pacientes com covid-19, porque têm problemas de design, problemas de equipamento, porque o equipamento está vencido, usado e alguns até em más condições ou não funcionais", acrescentou o procurador.

"Qualquer ato de corrupção é condenável, repreensível, censurável, mas acho que aqueles cometidos no contexto da pandemia vão além da capacidade de indignação que todos os hondurenhos podem ter", ressaltou Chinchilla.

Segundo comunicado da procuradoria, com a operação, Alex López, de nacionalidade guatemalteca, "teria obtido lucros superiores a 20 milhões de dólares".

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