Funcionários do setor público venezuelano vão às ruas por melhores salários

Funcionários do setor público venezuelano vão às ruas por melhores salários

CARACAS (Reuters) - Centenas de trabalhadores do setor público, incluindo professores, enfermeiras e policiais aposentados, foram às ruas na Venezuela, nesta segunda-feira, para exigir melhores salários e aposentadorias em um momento em que o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, enfrenta uma inflação crescente.

Trabalhadores dos setores de educação e saúde da Venezuela realizaram três manifestações pacíficas em uma dúzia de cidades até agora este ano para exigir mais dinheiro.

O salário mínimo da Venezuela, que é de 130 bolívares por mês (cerca de apenas 6 dólares), foi ajustado pela última vez em março de 2022, quando a inflação anual fechou em 305%, segundo grupos não governamentais que monitoram indicadores econômicos na ausência de dados oficiais.

O governo diz que as sanções dos EUA tornaram impossível controlar o crescimento dos preços ao consumidor.

"A fome não conhece o medo, quando a fome chega o medo desaparece", disse a professora Nancy Hernandez, de 60 anos, durante uma passeata em Barquisimeto, referindo-se a possíveis confrontos com a polícia.

Em Maracaibo, capital do outrora poderoso Estado rico em petróleo de Zulia, no noroeste da Venezuela, os manifestantes marcharam até o gabinete do governador.

"O que estamos vivenciando é mais do que abuso", disse o policial reservista de Zulia Gustavo González, de 60 anos. "Estamos morrendo de fome."

"Vamos ter que fechar o hospital da polícia porque... não há nem um curativo. Nós, policiais de Zulia, estamos esquecidos, não temos sapatos nem uniformes", acrescentou González.

"Nunca pensei que chegaria aos 63 anos dessa maneira, dependendo do lixo para comer", disse Humberto Montiel, um aposentado que trabalhava na construção de aeroportos.

Montiel precisa limpar pátios e recolher o lixo porque "quando minha aposentadoria miserável acabar ainda estou com fome", disse ele.

(Reportagem de Keren Torres, em Barquisimeto; Mariela Nava, em Maracaibo; e Tibisay Romero, em Valencia)