Funcionários usam saco plástico ao invés de equipamento de proteção no Hospital Salgado Filho, Zona Norte do Rio

Funcionários do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, improvisaram equipamento de segurança

Funcionários do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, Zona Norte do Rio, usaram sacos plásticos ao invés de equipamentos adequados de proteção para atender pacientes. A denúncia foi feita por meio de uma imagem enviada à TV Globo nesta sexta-feira que mostra dois profissionais com o capote improvisado.

Na quinta-feira, o Sindicatos dos Enfermeiros e dos Médicos do Rio de Janeiro denunciou a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e luvas, em reportagem exibida no "RJTV".

— No Salgado Filho está bastante escasso. No Souza Aguiar, pela manhã, não tinha máscara. No Andaraí não tem sabão para lavar a mão. Eles já estão adoecendo. E a situação está muito triste. Cada dia está pior e se a gente não estiver apta a cuidar da saúde das pessoas, quem é que vai cuidar da saúde da população do Rio? Nós precisamos de equipamento de proteção individual — disse Líbia Bellusci, vice-presidente do Sindicato, à "TV Globo".

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Um médico do Hospital Municipal Salgado Filho, que pediu anonimato, reclamou da falta de máscara N95.

— Estamos trabalhando sem material de EPI (equipamento de proteção individual). Por incrível que pareça os faxineiros, o pessoal da Comlurb, tem N95 e os médicos não têm N95. Segundo a diretora não há necessidades. Estão com máscaras convencionais, inclusive os pacientes de linha de frente, alegando que nós não seremos o principal foco do coronavírus de atendimento, que esses pacientes seriam atendidos inicialmente no Salgado Filho e transferidos imediatamente. Outra coisa que é importante a gente frisar é que no Salgado Filho as cirurgias eletivas não pararam — disse.

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Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse que "repudia a atitude dos profissionais de vestir sacos plásticos em uma tentativa de desqualificar o trabalho de outros colegas e reiterou que não faltam equipamentos de proteção a casos suspeitos de coronavírus".

Por conta da pandemia do novo coronavírus, a prefeitura anunciou diversas medidas para a atuação no combate à doença. Entre elas está a convocação de 200 enfermeiros e 80 técnicos de enfermagem de um banco de concursados da SMS para trabalhar de imediato na rede pública do Rio. Em tese, pela legislação, eles têm 45 dias para tomar posse e comparecer ao local indicado.

A prefeitura também decidiu manter a frota de ônibus da liberdade — usada para transportar alunos da Zona Oeste às escolas —  como reserva para o caso de profissionais de saúde terem dificuldade de chegar aos locais de trabalho, caso a epidemia se agrave e faltem coletivos normais.