Funcionária da Precisa culpa presidente de farmacêutica indiana por aumento do preço da Covaxin

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  • Funcionária da Precisa Medicamentos negou que vacina Covaxin pudesse custar "menos que uma garrafa de água"

  • Emanuela Medrades também disse que nunca ofertou a Covaxin por 10 dólares

  • Segundo funcionária da Precisa, memória da reunião é unilateral e mentirosa

Emanuela Medrades, funcionária da Precisa Medicamentos, negou que a vacina Covaxin, contra a covid-19, já tenha custado menos 15 dólares em algum momento. 

"Documentos das Relações Exteriores mostram que seis meses antes de sua aquisição pelo Ministério da Saúde, a Covaxin tinha o preço estimado em 100 rúpias por dose, o que equivale a cerca de 1,34 dólares. Contudo, a compra dessa mesma vacina foi contratada por 15 dólares pelo governo brasileiro", lembrou o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL). "A que se deve essa alta vertiginosa de preço, de mais de 1.000%?"

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Segundo Emanuela, esse valor nunca existiu. "Esse preço foi até associado pelo presidente da Bharat [Biotech]. Ele, em uma reunião, em agosto de 2020, diz que a Covaxin custaria menos que uma garrafa de água. A partir daí, sim, gerou-se toda uma expectativa de que seria um produto barato. Só que, no entanto, o produto não tinha nem sequer publicado a fase 1 [de testes]", afirmou a funcionária da Precisa Medicamentos, representante da Bharat Biotech no Brasil. 

Director of Precisa Medicamentos Emanuela Batista de Souza Medrades attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 14, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Emanuela Medrades, da Precisa Medicamentos, depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

"O processo de desenvolvimento de um produto é impossível você precificar ele antes que ele esteja desenvolvido. Foi uma fala dele que... Esse preço nunca foi praticado. Foi uma fala dele que foi muito criticada também pela própria Bharat. Esse custo nunca, em momento nenhum, foi ofertado. Ou seja, não dá para comparar em agosto de 2020, quando o produto não tinha sido precificado nem na Índia nem em nenhum lugar", afirmou.

Renan Calheiros voltou a perguntar sobre o preço e citou uma possibilidade de a Covaxin ser comprar por 10 dólares. Segundo Emanuela, a "memória da reunião" era unilateral, confeccionada pelo Ministério da Saúde. 

"Nós, parte da reunião, não tivemos oportunidade de ler, assinar ou até validar o que ali estava escrito. O que eu posso garantir é que não houve nenhuma oferta de 10 dólares por dose e nós, o tempo todo, tentamos que esse produto fosse mais barato para o Brasil", alegou a funcionária da Precisa. 

"Inclusive, a Precisa recebeu uma oferta de 18 dólares e a gente não repassou. No e-mail eu escrevo: 'Esse valor não está perto do que a gente quer repassar para o Brasil'. Se na memória de reunião constavam 10 dólares, é uma memória unilateral, eu não ofertei esse valor. Podia ser uma expectativa, que era, eu também tinha essa expectativa e reafirmei essa expectativa diversas vezes, inclusive comparando com valores de outras vacinas", afirmou.

Questionada por Renan se a memória da reunião é mentirosa, Emanuela Medrades disse: "Sim, é mentirosa". A funcionária ainda afirmou que, no encontro citado, em 20 de novembro, ela não citou qualquer oferta de preço da Covaxin, pois não tinha a informação. 

Estavam no encontro Elcio Franco, então número 2 do Ministério da Saúde, Franciele Fantinato, coordenadora do Plano Nacional de Imunização, Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, entre outros. 

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