Funcionárias se contradizem sobre atritos de Beto no Carrefour que teriam motivado assassinato

Redação Notícias
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An employee stands inside a Carrefour supermarket after protesters entered knocking products off shelves and overturning carts in protest against the murder of Black man Joao Alberto Silveira Freitas at a different Carrefour supermarket the night before, on Brazil's National Black Consciousness Day in Sao Paulo, Brazil, Friday, Nov. 20, 2020. Freitas died after being beaten by supermarket security guards in the southern Brazilian city of Porto Alegre, sparking outrage as videos of the incident circulated on social media. (AP Photo/Andre Penner)
Um funcionário está dentro de um supermercado Carrefour depois que manifestantes entraram derrubando produtos das prateleiras e virando carrinhos em protesto contra o assassinato do homem negro João Alberto Silveira Freitas (Foto: AP Photo/Andre Penner)

Depoimentos de duas funcionárias do supermercado Carrefour, onde o cliente negro João Alberto Silveira, o Beto, foi espancado até a morte por dois homens brancos na quinta-feira (19), se contradizem. As informações são do UOL, que obteve acesso aos documentos da investigação.

À polícia, uma fiscal de caixa afirmou que nunca tinha visto Beto e que não entendeu por que ele estava agindo daquela maneira. De acordo com depoimento, Beto teria acenado para ela enquanto ainda estava no caixa com a esposa.

Já Adriana Alves Dutra, 51, agente de fiscalização que aparece no vídeo do estacionamento dizendo que iria “queimar” o motoboy no supermercado caso ele continuasse filmando as agressões, disse que a colega relatou para ela que Beto teria tido atrito com outros funcionários em outras ocasiões.

Mas a fiscal, que não teve nome revelado, afirmou ainda à polícia que não conhecia o cliente e não sabia o motivo da atitude dele. Segundo depoimento, no dia das agressões, ela estava na frente dos caixas acompanhada dos dois seguranças que assassinaram Beto quando ele chegou com a esposa para passar as compras e fazer o pagamento. Segundo a fiscal, Beto "passou a encará-los", foi na direção dela e "parecida estar furioso com alguma coisa".

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Ainda segundo o relato da funcionária, Beto foi em direção ao segurança e "fez um gesto com as mãos como se fosse" empurrá-lo. Em seguida, de acordo com a fiscal, o cliente teria feito novamente um gesto para ela. Depois disso, o segurança e o PM temporário levaram Beto para o estacionamento da loja.

Antes de sair do local, Beto deu um soco no PM temporário. Segundo o UOL, a partir desse momento começaram as agressões que terminaram com a morte do homem negro.

De acordo com o depoimento, a funcionária disse que permaneceu nos caixas e só viu que o cliente havia morrido quando foi chamada para ir até a entrada da loja e os paramédicos já estavam fazendo os primeiros socorros em Beto.

Contradição

Já a agente que aparece nas imagens afirmou que a colega, a fiscal de caixa, relatou que Beto "seria uma pessoa agressiva e que havia entrado em atrito com os fiscais de loja em outras datas". No entanto, a declaração contradiz o depoimento anterior de que Beto não seria conhecido por outros atritos.

De acordo com depoimento da agente, Beto teria "empurrado uma senhora e foi novamente orientado pelo cliente/policial a deixar disso e se acalmar".

Em seguida, houve o soco de Beto contra o PM temporário, "momento em que se 'embolaram'", conforme trecho do depoimento.

A agente ainda afirmou que acionou a Brigada Militar e ligou para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ao ver sangue. Além disso, ela conta que pediu "aos rapazes que largassem Beto" por várias vezes. Um vídeo, no entanto, mostra ela tentando impedir a gravação da cena por um motoboy.