Funcionários da Funai anunciam greve e pedem saída do presidente do órgão

Manifestantes seguram cartazes durante um protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Marcelo Augusto Xavier da Silva em Brasília (DF) no dia15 de junho de 2022. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Manifestantes seguram cartazes durante um protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Marcelo Augusto Xavier da Silva em Brasília (DF) no dia15 de junho de 2022. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) anunciaram uma greve que deve ocorrer na próxima quinta-feira (23). O ato vai acontecer a partir das 10h em todas as unidades da fundação nos Estados e no Distrito Federal. De acordo com a INA (Indigenistas Associados), entidade que representa os trabalhadores da Funai, a paralisação tem como objetivo pedir o “afastamento imediato” do presidente da fundação, Marcelo Xavier. Para a associação, Xavier vem promovendo uma gestão anti-indígena e anti-indigenista na instituição desde que foi nomeado para o cargo em julho de 2019.

Eles também irão cobrar a responsabilização dos culpados pela morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.

“Manifestaremos nossa profunda tristeza e indignação pelo assassinato bárbaro do nosso colega Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips e exigiremos a devida identificação e responsabilização de todos os culpados”, diz a nota divulgada no Twitter da associação

Procurada pelo jornal Folha de SP, a Funai ainda não se manifestou sobre o ato.

Dossiê

A INA divulgou na última segunda-feira (13) um dossiê, feito em parceria com o Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), em que acusa a Funai de atuar contra as causas indígenas ao não promover a não demarcação de territórios, sob a gestão de Bolsonaro (PL).

O relatório ainda denuncia que houve esvaziamento orçamentário, assédio institucional, alinhamento com a agenda ruralista e omissões na esfera judicial.

Quanto ao presidente da Funai, a organização afirma que ele é alinhado aos interesses de ruralistas. Xavier é delegado da Polícia Federal e já provocou a abertura de um inquérito pela PF para investigar o procurador Ciro de Lopes e Barbuda de apologia do crime. O motivo teria sido um relatório produzido por Barbuda a favor dos povos indígenas. O Ministério Público Federal (MPF) absolveu o réu da denúncia e considerou que houve crime de constrangimento ilegal na iniciativa.

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