Funcionários de fábrica da Apple trabalhavam de forma degradante

·2 min de leitura
Private security guards stand at the entrance of a closed plant of Foxconn India unit, which makes iPhones for Apple Inc, near Chennai, India, December 22, 2021. Picture taken December 22, 2021. REUTERS/Sudarshan Varadhan
Entrada da Foxconn perto de Chennai, na Índia
  • Denúncias chegam justamente enquanto a Apple paga bônus de férias de até R$ 1 milhão

  • De acordo com depoimentos, havia quartos com cerca de 30 mulheres dormindo no chão

  • Mulheres continuarão sendo remuneradas enquanto Apple investiga as condições de trabalho

Depois que cerca de 159 mulheres foram hospitalizadas por intoxicação alimentar em meados de dezembro, gerando um raro protesto de trabalhadores na Índia, um grande caso veio à tona. Levando os olhos do público, após grande investigação, à situação de trabalhadoras indianas que viviam montando iPhones da Apple, sobrevivendo com alimentos infestados de vermes enquanto viviam em dormitórios repletos de ratos e sem água corrente - tudo por menos de R$ 27 (US$ 5) por dia.

Desde então, a Apple colocou indefinidamente a fábrica administrada pela Foxconn "em teste" e disse que a mesma não será reaberta até que atenda aos seus "padrões estritos". Notícias sobre as condições doentias em uma fábrica com 17 mil trabalhadores chegam justamente enquanto a Apple paga bônus de férias de até R$ 1 milhão (US$ 180 mil) a alguns engenheiros norte-americanos. 

Leia também:

Situação degradante

De acordo com uma investigação da Reuters - que incluiu entrevistas com seis mulheres que trabalhavam na fábrica, localizada nos arredores de Chennai -, os trabalhadores foram obrigados a dormir no chão em dormitórios, com até 30 mulheres dormindo em um único quarto, com a maioria deles não possuindo sequer água encanada. Isso teria deixado muitas mulheres, a maioria das quais com idade entre 18 e 22 anos, com vários problemas de saúde.

“As pessoas que moram nos albergues sempre tiveram uma doença ou outra - alergias de pele, dor no peito, intoxicação alimentar”, disse à Reuters uma mulher de 21 anos que deixou a fábrica após o protesto. “Não demos muita importância porque pensamos que seria consertado. Mas agora, afetou muitas pessoas”, acrescentou. Ao todo, elas ganham menos de R$ 780 (US$ 140) por mês, mas têm que pagar a um empreiteiro da Foxconn por moradia e alimentação enquanto trabalham na fábrica.

Investigações seguem

A intoxicação alimentar e os protestos levaram a pelo menos quatro investigações por agências estaduais regionais, incluindo algumas que estão em andamento. As mulheres que trabalham na fábrica continuarão sendo remuneradas enquanto a Apple investiga as condições de trabalho, de acordo com a Reuters. As autoridades também alertaram em particular a Foxconn para melhorar as condições de trabalho.

A fábrica - que é fundamental para os esforços da Apple para desviar a produção da China em meio às tensões entre Pequim e Washington - foi inaugurada em 2019 como parte do esforço do primeiro-ministro Narendra Modi para criar empregos industriais na Índia. Os produtos para a Samsung e a empresa-mãe Daimler, da Mercedes-Benz, também são feitos em fábricas próximas.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos