Funcionários não registrados do TikTok divulgam regime exploratório

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Foto: Getty Images.
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  • Para alcançar valor "ideal" de pagamento por hora, prestadores teriam que trabalhar por 20 horas seguidas;

  • Funcionário que teria feito o maior número de transcrições ganhou, provavelmente, apenas R$ 400;

  • Os funcionários foram contratados por WhatsApp e não diretamente pela ByteDance, dona do TikTok.

Ex-funcionários informais do TikTok, empresa de aplicativo de mídia, estão denunciando o regime exploratório de um serviço terceirizado pela empresa. Os prestadores do serviço afirmam que, para conseguir receber 14 dólares por hora prometidos, teriam que trabalhar por 20 horas seguidas. O trabalho consistia em transcrever curtos trechos de vídeos.

De acordo com um ex-funcionário, o valor prometido para os prestadores não contabilizava horas trabalhadas e sim as horas de transcrição feitas. Cada transcrição levaria em média um minuto para ser feita. Ou seja, para fazer uma hora de gravação seria necessário cumprir 1.200 transcrições, o equivalente a 1.200 minutos, isto é, 20 horas.

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Estima-se que o funcionário que mais recebeu, e mais trabalhou, fez 18.577,66 segundos de transcrição, ou seja, 5,16 horas, recebendo R$ 400. Na estimativa de 20 horas para uma hora transcrita, essa pessoa provavelmente recebeu 72 dólares por 100 horas trabalhadas ao mês, sem considerar nenhuma pausa no serviço.

Em comparação a um período similar trabalhado sobre regime de CLT, o pagamento do funcionário ficou distante do salário mínimo de R$ 1.1 mil.

O trabalho de transcrição contava com dois valores de pagamento pré-estabelecidos. Os que fizessem 300 ou mais transcrições diárias ganhariam 14 dólares por hora. Quem fizesse menos teria apenas dez dólares.

Os prestadores de serviço foram contratados por WhatsApp, e não diretamente pela ByteDance, empresa chinesa de tecnologia da internet e dona do aplicativo.

O rápido treinamento dos contratados acontecia por vídeo. Depois, uma reunião virtual gravada era disponibilizada para os novos recrutados. Por meio dos vídeos, os recém-contratados aprendiam a cortar áudios, transcrever trechos selecionados e a mexer na plataforma utilizada para o serviço. Parte do aprendizado também consistia em uma rápida aula de português e em regras de transcrição.

O serviço completo dos contratantes era feito por meio de um programa de computador a ser baixado e com o nome da Bytedance.

As informações são do The Intercept.

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