Fundação Casa terá presidente com dedicação exclusiva pela primeira vez em cinco anos

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Adolescentes da Fundação Casa em dia especial de atividades físicas. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Adolescentes da Fundação Casa em dia especial de atividades físicas. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, conhecida como Fundação Casa, em São Paulo, terá um presidente dedicado exclusivamente à função pela primeira vez em cinco anos.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) empossará na sexta-feira (13) o ex-juiz João Veríssimo Fernandes, aliado do secretário de Governo paulista e presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Com passagens pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado mineiro, Veríssimo atuou como coordenador do antigo Comissariado de Menores da Comarca de Mauá, na Grande São Paulo.

Após deixar a magistratura em 2015, o ex-juiz foi secretário de Governo de Mauá, assessor especial da Prefeitura de Santo André, na região do ABC paulista, e secretário-geral e curador da Fundação ABC.

"Acho que o João Veríssimo tem muita condição [para presidir a Fundação Casa]. Ele é um dos pouco magistrados negros do Brasil, fez uma carreira bacana no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, um dos mais importantes do Brasil, e teve experiência administrativa com infância e adolescência", afirma o recém-nomeado secretário da Justiça, Fábio Prieto.

A Fundação Casa congrega hoje mais de 10 mil servidores e cerca de 4.500 jovens e adolescentes que cometeram infrações. Nos últimos anos, sua presidência foi ocupada pelo titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do estado de São Paulo, que acumulava as funções.

"Não existe um modelo de gestão melhor ou pior", afirma o atual secretário sobre a decisão de nomear um presidente para a instituição. "Prefiro ter uma pessoa todo o tempo lá. Nesse momento, dada a importância da Fundação Casa, atende melhor ao propósito da instituição", segue Prieto.

Prieto tece elogios às realizações de governos passados em relação aos centros socioeducativos. "Acho que o trabalho que foi feito na Fundação Casa é muito elogiável. Desde a Berenice [Giannella, que presidiu a instituição até 2017] tem funcionado bem. Claro que tem problemas isolados, mas o modelo de assistência efetiva, médica, psicológica e educador mudou completamente", afirma o secretário.

"Nosso governo não está com pedras nas mãos, então a gente tem muita tranquilidade de olhar para aquilo que deu certo e que considera socialmente interessante", diz ainda.

Ao falar da escolha do nome de João Veríssimo Fernandes para a presidência da instituição, Prieto afirma que o ex-juiz era cotado para outro cargo no Governo de São Paulo, por indicação de Kassab, mas acabou recusando.

"No dia seguinte, tomando café com a minha esposa e falando que procurava uma personalidade [para a Fundação Casa] que atendesse aos requisitos, ela lembrou do nome dele", conta o secretário. "Saiu [na imprensa] que o Kassab indicou, mas quem indicou foi a minha mulher", brinca.