Primeiro negro bilionário dos EUA pede ao governo reparação de US$ 14 trilhões pela escravidão

Robert Johnson é fundador da Black Entertainment Television (BET), um canal voltado a negros dos EUA

Robert Johnson, fundador da Black Entertainment Television (BET), um canal voltado a negros dos EUA, defendeu em entrevista à emissora "CNBC" que o governo americano coloque em prática um plano de US$14 trilhões (cerca de R$ 72 trilhões) para reparar os danos causados pela escravidão e ajudar a reduzir a desigualdade racial no país.

A divisão da riqueza e a brutalidade policial contra os negros estão no centro dos protestos que eclodiram nos EUA após o assassinato de George Floyd na semana passada, por um agente branco em Minneapolis. "Agora é a hora de ousar" para impedir que o país se divida em duas sociedades distintas e desiguais, afirmou Johnson.

"A transferência de riqueza é o que é necessário", argumentou na entrevista à "CNBC". Johnson, de 74 anos, fez história como o primeiro bilionário negro dos EUA quando vendeu a BET para a Viacom em 2001. Logo depois, ele fundou a empresa de investimentos The RLJ Cos. Hoje, não está mais na lista de bilionários da "Forbes".

Chamando sua ideia de "o maior programa de ação afirmativa de todos os tempos", Johnson disse que ela sinalizaria que os americanos brancos reconhecem os "danos devidos" pelo campo de jogo desigual criado pela escravidão e pelas décadas seguintes. "Os danos são um fator normal em uma sociedade capitalista quando você é privado de certos direitos", disse ele. "Se esse dinheiro entrar nos bolsos como o auxílio emergencial do coronavírus ... esse dinheiro voltará à economia na forma de consumo. Também haverá mais empresas de propriedade de negros".

 

 

O presidente e diretor-executivo da farmacêutica Merck, Ken Frazier, que é negro, falou sobre o assunto à "CNBC" e expressou dúvidas sobre a possibilidade de reparações. "Não acredito que seremos capazes de conseguir algo assim por meio de nosso sistema político. Os líderes da comunidade empresarial precisam ser uma força unificadora. Eles podem ser uma fonte de oportunidade. Eles podem ser uma fonte de entendimento. Nós, como líderes empresariais, podemos acelerar e resolver muitos desses problemas econômicos para as pessoas", ponderou Frazier, dizendo que a educação, principalmente a financeira, é o "grande equalizador".