Fundadora da Theranos pede novo julgamento por mudança de versão em depoimento chave

A fundadora da empresa Theranos, que prometeu revolucionar os exames de sangue e acabou condenada por fraude, pediu nesta terça-feira (6) um novo julgamento, alegando contar com uma mudança de versão em um importante depoimento.

Os advogados de Elizabeth Holmes, considerada culpada em janeiro pelo júri de um tribunal federal de San José, Califórnia, enviaram uma carta ao juiz federal Edward Dávila, que presidiu seu julgamento, na qual indicaram que em agosto receberam uma visita do ex-diretor do laboratório da Theranos, Adam Rosendorff.

O documento explica que o cientista queria "responder honestamente às perguntas" que lhe foram feitas durante o julgamento, mas que os promotores "tentaram apresentar todos (ex-funcionários da Theranos) como os caras maus", e questiona a teoria de que Elizabeth Holmes queria enganar os investidores deliberadamente.

Na carta, o cientista é citado dizendo que "cometeu um erro" e agora volta a se apresentar porque quer "ajudar" sua ex-chefe.

Os advogados de Holmes consideram que a nova versão de Rosendorff justifica um novo julgamento, principalmente porque significaria que ele apresentou falso testemunho ao júri.

Holmes aguarda sua sentença para 26 de setembro e pode pegar até 20 anos de prisão por cada uma das quatro acusações contra ela.

A empresária se tornou um dos símbolos dos excessos dentro da cultura do Vale do Silício. Fundou a Theranos em 2003, quando tinha apenas 19 anos e passou a competir com os laboratórios tradicionais, prometendo diagnósticos rápidos e baratos por meio de seus dispositivos, que coletavam amostras tão pequenas quanto uma gota de sangue.

Devido ao seu carisma e confiança, Holmes conseguiu recrutar celebridades e investidores de alto nível para uma empresa que acabou se mostrando um castelo de cartas, incapaz de produzir resultados conclusivos.

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