Fundo Amazônia é 'tragédia difícil de ser revertida', diz embaixador da Alemanha a jornal

RIO — Diretamente envolvido nas negociações do Fundo Amazônia junto ao Ministério do Meio Ambiente, Georg Witschel, o embaixador da Alemanha no Brasil, definiu nesta terça-feira que a situação do instrumento de desenvolvimento e proteção da Amazônia como uma "tragédia" difícil de ser revertida.

A declaração foi feita em mesa redonda sobre economia e meio ambiente no Centro Brasileiro de Realções Internacionais (Cebri), no Rio.

— O fracasso do Fundo Amazônia será um torpedo no navio do acordo entre Mercosul e União Europeia, navio que está bem lento e já tem um pouco de água — afirmou o diplomata, segundo o jornal "Valor Econômico".

O acordo de livre comércio entre Mercosul e UE foi finalizado em junho e passa por revisão técnica prevista para terminar neste mês, de acordo com o governo federal.

Já o Fundo Amazônia, que tem por finalidade captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, está há mais de um ano sem efetuar desembolsos. Ele é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

— Estamos (Alemanha e Noruega, os principais fiadores do mecanismo) esperando uma proposta séria do Ministério do Meio Ambiente sobre como continuar com o Fundo Amazônia. Tenho a impressão de que sobretudo a Noruega está de saco cheio. É como posso entender, e a sociedade também está, seu eu fosse cidadão norueguês (estaria de saco cheio) — disse ele sobre o país parceiro.

Segundo Witschel, a Alemanha vai continuar a tentar dialogar com o Ministério do Meio Ambiente — assim como a Noruega —, mas já busca outros interlocutores dentro do governo. Ele citou especificamente os ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e da Economia, Paulo Guedes, além da ala militar do governo.

— Se o governo não conseguir lutar contra o desmatamento ilegal e reduzi-lo às taxas de 2017, acho que não tem nenhuma chance de ratificar (o acordo) na Alemanha. E o (presidente da França Emmanuel) Macron e outros ficarão bem felizes com isso — concluiu.

A Alemanha tem sido um dos avalizadores do acordo dentro do bloco europeu, funcionando como um contra-peso aos movimentos contrários do governo da França e outros como a Irlanda e a Polônia.