Funerária, que pediu à Vigilância Sanitária que autorizasse sepultamento em três dias para ressurreição de pastor, acabou autuada

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Foi a própria Paz Universal, pequena funerária de Goiatuba, em Goiás, que procurou a Vigilância Sanitária enquanto acontecia o velório de três dias do pastor Huber Carlos Rodrigues. Na segunda-feira, o gerente do estabelecimento foi até a repartição pública pedir autorização para atender à família do religioso, que antes de morrer deixou um documento solicitando que não fosse sepultado antes de três dias porque ressuscitaria por graça do "Mistério de Deus". Ao se deparar com o pedido, o farmacêutico Luciano Borges Chaves, fiscal do setor na prefeitura, autuou o estabelecimento e abriu um processo administrativo, que pode levar à aplicação de multas de até R$ 250 mil.

— Eu fiquei sabendo junto com toda a cidade porque eles nos procuraram. Como eu disse que não podia, que era irregular, eles foram pedir uma liminar na Justiça. Eu autuei na hora e abri um procedimento administrativo. A família também esteve aqui fazendo o mesmo pedido, mas a resolução da Anvisa não permite isso — afirma Luciano, acrescentando que o corpo não tinha sequer sido embalsamado — o que o levaria a se decompor e a exalar substâncias tóxicas — e que, nestes casos, o sepultamento deve ocorrer em até 24h.

A funerária terá 20 dias para se defender no processo administrativo. A multa muncipal, em casos semelhantes, dependendo da gravidade atestada por uma junta de fiscais, pode chegar a R$ 250 mil. A tanatopraxia provalmente não foi realizada porque Huber acreditava que seu corpo não exalaria qualquer odor.

"Minha integridade física tem que ser totalmente preservada, pois ficarei por três dias morto, sendo que no terceiro dia eu ressuscitarei. Meu corpo, durante os três dias, não terá mau cheiro e nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência", escreveu o pastor em documento assinado por testemunhas e apresentado pela mulher dele, Ana Maria de Oliveira Rodrigues.

De acordo com o farmacêutico, como Huber teve Covid-19 há cerca de dois meses, o corpo provavelmente já não oferecia maior risco sanitário para propagação da doença. A morte aconteceu em decorrência de complicações da doença durante o período de internação do pastor num hospital público de Itumbiara, que fica a cerca de 50km de Goiatuba, onde reside a família.

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