Funeral de Pelé: como funciona o sepultamento em cemitério vertical

Após o velório no Estádio da Vila Belmiro, em que compareceram mais de 230 mil pessoas, o corpo de Pelé será sepultado no segundo andar do mausoléu do cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, que fica a 1 km de distância do estádio localizado na cidade do litoral paulista.

A área para o lendário ex-jogador brasileiro na necrópole existe desde 2003 — Pelé já pensava onde seria seu descanso final e comprou um memorial para seu enterro. O fundador do cemitério, o argentino José Salomon Altstut, o Pepe Altstut, era amigo do rei do futebol e morreu em 2021.

Segundo o diretor do cemitério, Evans Edelstein, o memorial de Pelé é bem maior do que a média dos memoriais — foi construída praticamente toda uma ala voltada para o ex-jogador.

Fotografia mostra duas estátuas de pele em frente a uma porta de vidro
Memorial de Pelé foi adornado com estátuas do jogador

A família ainda vai definir quando a área ficará aberta para visitação do público, diz Edelstein.

Como funcionam os cemitérios verticais

O memorial de Santos foi o primeiro cemitério vertical da América Latina: existe desde 1983. Mas a ideia de enterro vertical ainda é novidade para muitas pessoas.

Inovações costumam ter uma introdução lenta no setor funerário, onde o público tende a aderir a formatos mais tradicionais.

O cemitério vertical de Santos tem três tipos de sepultamentos possíveis.

Os memoriais são áreas mais amplas, onde o corpo fica em um espaço selado, e parentes e pessoas próximas têm um espaço exclusivo para homenagens.

Há também os lóculos, que são túmulos menores enfileirados lado a lado e verticalmente em uma parede, onde também é possível fazer visitação e deixar flores.

Famílias que optem pela cremação têm a possibilidade de deixar a urna com as cinzas em um espaço chamado cinério.

Fotografia colorida mostra túmulos em uma parede
Famílias podem deixar homenagens e flores nos túmulos

Câmara lacrada

Tanto nos lóculos quanto nos memoriais, os corpos ficam em uma câmara lacrada, onde ocorre a decomposição.

"Tem toda uma tecnologia por trás, mas é como se fosse em um cemitério normal. A câmara é lacrada, não tem cheiro, não tem bichinho", explica Edelstein.

Os líquidos provenientes da decomposição são colhidos por tubos especiais e descartados adequadamente.

No Brasil, uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) já determina que, mesmo em cemitérios tradicionais, o líquido da decomposição seja tratado para que não contamine o solo.

Na prática, no entanto, nem sempre isso acontece, pois os cemitérios mais antigos não foram instalados com a tecnologia necessária.

Fotografia colorida mostra um prédio de dez andares sob um céu azul ao lado de árvores verdes
Pelé escolheu ele próprio seu local de sepultamento

Diamante com fio de cabelo

O prédio do cemitério vertical começou com dez andares e foi crescendo: hoje tem 17 mil lóculos.

O grupo de funerárias também oferece um serviço de transformar o cabelo do ente querido em um diamante — através de um processo químico que altera a estrutura da cadeia de carbono.

O processo é feito no exterior e todo filmado. Demora de três a quatro meses.

Pepe Altstut, o fundador do cemitério, explicou em uma entrevista de 2016 que a primeira experiência com a técnica foi realizada com o cabelo do próprio Pelé.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64156629