Rapper PK reconhece privilégio branco e afirma: "Nosso país é muito racista"

O rapper PK é um fenômeno da música aos 23 anos. O artista, "cria" da Ilha do Governador, subúrbio do Rio de Janeiro, coleciona hits (como 'Quando a Vontade Bater', 'Do Jeito que Tu Gosta' e 'Tudo de Bom', com Luísa Sonza) e milhões de seguidores nas redes sociais. No Yahoo! Entrevista, ele fala sobre a origem humilde e reconhece que tem privilégios por ser um homem branco que canta rap e funk, gêneros tão discriminados pela sociedade.

"A maioria das pessoas que vem de onde a gente vem quer tomar um desses três caminhos para dar uma vida melhor para a família: música, futebol e, infelizmente, o crime. São lugares em que a gente vê o pessoal ganhando voz, mesmo que seja da maneira errada", explica. "Aqui é onde o poder público não alcança", avalia PK.

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Hoje, o cantor valoriza a criação que recebeu dos pais e quer mandar "papo reto" para os mais jovens. "Vários amigos meus se perderam, sempre tive muitos exemplos do que não fazer. Se algo dos meus 'cálculos' tivesse dado errado poderia ser eu também", reflete.

Ele conta que sempre presenciou o racismo de perto, antes mesmo do sucesso, e admite que pode ser tratado de forma diferente no seu meio musical por ser branco. "A gente [os funkeiros] vem do mesmo lugar, mas acredito que existe bastante diferença entre a forma que eu sou visto e a forma que eles são vistos", opina.

Nosso país ainda é muito racista, muito. Consigo ver que eu sou privilegiado por esse lado. Várias vezes antes de a gente ter reconhecimento, a gente era parado e a revista [policial] que eu sofria era diferente dos moleques.

MÚSICA NA PANDEMIA

PK também sente o impacto da pandemia de covid-19 no trabalho. Ele garante que conseguiu manter os empregos das 15 pessoas de sua equipe, mas lamenta o cenário que prejudica, principalmente, quem atua nos bastidores do entretenimento. "O artista é a pontinha do iceberg. Quem trabalha por trás da estrutura toda é quem mais sofre", afirma.

O rapper também critica a gestão do governo federal na pandemia e se diz ansioso pela imunização total do povo.

Infelizmente, nosso país tem um governo que é maluco da cabeça — vou ser educado e falar dessa forma. A gente está virando chacota mundial, tudo aqui é mais complicado. Mas, infelizmente, por parte do governo, houve um descaso imenso e quem sofre com isso é a gente, a população.