Funkeiros se defendem sobre operação da polícia: ‘minha caminhada é limpa’

Alma Preta
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MCs de sucesso foram alvo de uma operação policial que investiga tráfico de drogas e associação ao tráfico em São Paulo; movimento do Funk aponta perseguição (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Texto: Roberta Camargo Edição: Nataly Simões

Os MCs Hariel e Ryan se defenderam após serem alvos de uma ação da Polícia Civil de São Paulo, que investiga tráfico de drogas e associação ao tráfico entre funkeiros. "Minha caminhada é limpa e reta (...) O funk pede paz”, disse Hariel, em uma sequência de vídeos publicados nas redes sociais.

A operação, que começou nesta quinta-feira (25), também teve como alvo os famosos MC Brinquedo e Salvador da Rima. Hariel e Pedrinho foram levados para prestar depoimento no 44° Distrito Policial, localizado na Zona Leste da capital paulista. 

Para a dançarina Renata Prado, diretora da Frente Nacional de Mulheres do Funk, a operação de hoje se trata de mais um episódio da perseguição policial contra funkeiros. “Eu acredito que não vai parar por aí porque todo mundo sabe que o movimento não tem ligação com o crime organizado, mas insistem nesse assunto”, afirma.

Em desabafo aos fãs, o MC Ryan falou sobre a postura que foi ensinado a ter desde criança quando se trata de envolvimento com “coisas erradas” e reiterou que a polícia está cumprindo seu trabalho. “Meu advogado já está em cima, vendo tudo certinho e eu tenho certeza que a gente vai sair disso”, explica.

Criminalização do funk

“Historicamente, o funk sofre com a criminalização, essa é mais uma onda”, relembra Renata, que resgata outros momentos em que funkeiros foram presos por acusações de ligação ao crime, a exemplo do caso de Rennan da Penha, Mc Frank e Mc Smith, todos investigados por possível associação ao crime.

O funk se tornou popular a partir do consumo e produção nas periferias do país. O recorte social e racial em que o movimento existe é usado para fomentar o preconceito. “Se você olhar as letras dos MCs, elas falam sobre a realidade. Se essa realidade é criminosa, é porque o estado não cumpre com o seu papel”, argumenta Renata.

Além de acompanhar os casos através das redes sociais, a dançarina aponta que a operação “camufla uma perseguição contra o funk” e que já existem diálogos para que o movimento se manifeste sobre as investigações. “A gente vai ter que fazer alguma coisa para as pessoas entenderem que funkeiro não é bandido”, conclui.

Em nota enviada à Alma Preta, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que os detalhes da operação, realizada na região metropolitana e no Litoral Sul de São Paulo, só serão revelados ao término dos trabalhos.