Fusca de colecionador encoberto pela enchente é recuperado em São Paulo

ALFREDO HENRIQUE
·4 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, 22.10.2020 - Fusca de colecionar que ficou preso em enxurrada na zona norte de SP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 22.10.2020 - Fusca de colecionar que ficou preso em enxurrada na zona norte de SP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde 31 de outubro de 1976 que o Volkswagen Fusca da aposentada Legna Rocha, 73 anos, nunca a a havia deixado na mão. Isso mudou na tarde desta terça-feira (20), quando o veículo, modelo 1974 e com placas pretas, de colecionador, foi encoberto por uma enxurrada, formada durante a forte chuva que caiu no bairro Lauzane Paulista (zona norte da capital paulista)

A enchente danificou o carro, que era consertado em uma oficina mecânica, na zona norte da capital paulista, até a publicação desta reportagem, mas não vai tirar o valente Fusquinha das ruas. A previsão para que o carro seja entregue à idosa, segundo o mecânico Rodolpho Rodrigues Donola, 26 anos, é de ao menos mais três dias, considerados a partir desta quinta-feira (22).

A idosa e o marido, de 83 anos, pretendiam ir ao mercado no Fusca 1300, comprado já usado por Legna, de um homem, em 1976, único proprietário anterior do veículo. "Estava indo tudo bem [na ida ao mercado], até que começou a pingar e, de repente, passou a chover muito forte", relembra a idosa sobre a tempestade de terça. Ela era quem guiava o carro.

Conforme o volume de água aumentou, afirmou Legna, o Fusca foi atingido por um "tromba d'água". "A água começou a ficar muito forte, até o momento em que o carro começou a flutuar e perdi o controle dele", afirmou a aposentada, acrescentando que o marido chegou a gritar por socorro, ao seu lado, no banco do passageiro.

Após ficar à deriva por alguns instantes, uma das rodas dianteiras do Fusca entalou em um bueiro, que teve a tampa arrancada com a pressão da água da enxurrada, transformando temporariamente a avenida Francisco Ranieri em um rio. Este momento foi registrado por ao menos dois vídeos feitos por celulares.

Em um dos registros, feitos da varanda de uma casa, é possível ver o Fusca, ocupado pelo casal de idosos, sendo quase que coberto pela enchente. "Se tiver alguém aí [dentro do Fusca], já era", afirma o homem que registra o momento.

Legna estima ter ficado cerca de meia hora presa, junto com o marido, dentro do carro. Após este tempo, três homens ajudaram os idosos a saírem do veículo. Ainda segundo imagens feitas com celular, o marido de Legna é retirado primeiro do carro e a aposentada, logo em seguida. Ambos são carregados no colo dos homens.

Conserto Após o susto, Legna afirmou ao Agora, nesta quinta-feira, estar somente com o pulso direito dolorido, por torcer quando o Fusca encalhou no bueiro, durante a enchente. O carro foi levado à oficina de Rodolpho Rodrigues Donola, que também é amigo da proprietária do carro.

Ele estimou em R$ 900 pelos reparos feitos no veículo, até a tarde desta quinta. "Está neste valor, pois sou amigo da dona Legna. Ela sempre deixou o Fusca na nossa mão, para fazer a manutenção. Se não fosse para ela, já estaria nuns R$ 1.500 o conserto, pelo menos", afirmou.

Até o momento foram feitas as trocas das velas, cabos e bobinas do veículo. O mecânico disse ainda aguardar que o feltro do carro, que é original, seque, além de estofamento. Esta primeira fase de reparos ainda pode demorar mais três dias. "Depois disso, o carro vai ter que ser levado para um funileiro. Como o Fusca é de colecionador, o trabalho precisa ser feito com muita calma, para preservar as características originais dele", explicou.

Segundo apurado em sites de veículos usados, em bom estado de conservação, um Fusca semelhante ao do casal de aposentados pode sair até por R$ 49 mil.

Carro de colecionador Para que um carro seja considerado de colecionador, ganhando com isso a placa preta, o dono do veículo precisa obter um Certificado de Originalidade. Este documento atesta a idade do veículo, obrigatoriamente superior a 30 anos, além de garantir que o carro conte ainda com características originais de fábrica. O certificado é emitido por alguma entidade credenciada e precisa ser, posteriormente, reconhecido pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

Veículos com placa preta, segundo a resolução 56, de 21 de maio de 1998, do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), ficam isentos de fiscalização de emissão de gases, de ruídos, de cinto de segurança, encosto de cabeça, além de air bag para o motorista e passageiro do banco dianteiro.