Futebol francês vive pesadelo financeiro após quebra de contrato de TV

Matheus Ribeiro
·4 minuto de leitura
PARIS, FRANCE-DECEMBER 13:    illustration of camera Mediapro producer of Ligue1 during the Ligue 1 match between Paris Saint-Germain and Olympique Lyon at Parc des Princes on December 13, 2020 in Paris, France.(Photo by Xavier Laine/Getty Images)
Mediapro parecia a salvadora do futebol francês, mas acabou colocando a liga em problemas (Xavier Laine/Getty Images)

Recentemente, o futebol brasileiro e sul-americano viu muitas disputas por direitos de transmissão, incluindo até intervenção do governo através de uma medida provisória. Mas por mais que a situação por aqui tenha ficado confusa, ela é bem mais tranquila que o momento vivido pelo futebol francês, que pode sofrer grandes baixas por causa de uma aposta que não deu certo.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Esportes no Google News

Em 2018, a Liga Profissional de Futebol da França (LFP) assinou um contrato que cedia os direitos de transmissão locais das duas principais divisões do país com a agência Mediapro, de Barcelona. Parecia um sonho. O acordo, que entraria em vigor em 2020, garantiria 780 milhões de euros pelas partidas da Ligue 1 e 34 milhões pela Ligue 2.

No meio do sonho de se fortalecer e brigar com ligas como a Serie A (Itália) e a Bundesliga (Alemanha), a LFP passou por cima de um ponto importante nas negociações: a falta de garantia de pagamentos. No ciclo anterior, a Mediapro tentou comprar os direitos da Serie A, mas a proposta não foi aceita justamente por este motivo. O então presidente da Serie A chegou a dar conselhos para a LFP, mas foi ignorado.

Leia também:

Sem entrada na França, a Mediapro criou um sistema de pay-per-view chamado Teléfoot, cobrando 15 euros mensais para dispositivos móveis e 25,90 por um pacote que funciona tanto em TVs quanto em outros dispositivos. Com uma adesão de cerca de 600 mil usuários, o pacote ficou bem longe de atender ao estimado para ter lucro - 4 milhões de assinantes.

Após pagar a primeira parcela dos direitos em agosto de 2020, a Mediapro tentou renegociar o contrato alegando problemas por causa da pandemia - a empresa já tinha números negativos antes - e deixou de pagar duas parcelas em outubro e dezembro, que somavam cerca de 225 milhões de euros.

Com isso, a LFP se viu obrigada a pegar um empréstimo de 120 milhões de euros para poder pagar as parcelas aos clubes e ainda recebeu uma ajuda de 224 milhões de euros do governo para ajudar os clubes a lidarem com os efeitos financeiros causados pela pandemia.

Recentemente, LFP e Mediapro chegaram a um acordo para a quebra de contrato, com a empresa espanhola pagando 100 milhões de euros como compensação.

Com isso, os oficiais do futebol francês precisaram voltar a discutir e colocaram os direitos locais para nova rodada de negociações. Nesta terça (2), a LFP anunciou que nenhuma das ofertas feitas - Amazon e DAZN entraram no processo, assim como o Canal+, uma das principais emissoras locais - atenderam ao preço estimado pela liga e que eles voltariam a discutir como proceder.

Sem o dinheiro dos direitos de TV e outras fontes importantes durante a pandemia, muitos clubes discutem até como sobreviver no momento.

“Quando você não tem dinheiro de direitos de TV, ingressos e outras amenidades, você vai ter que me explicar como podemos manter nosso negócio funcionando”, disse o presidente do Reims, Jean-Pierre Cailot. “Se a liga não conseguir um novo empréstimo, o que está longe de acontecer neste momento, acho que em fevereiro ou março, vários clubes não conseguirão pagar seus jogadores e empresgados. Porque muitas vezes a gente se esquece que um clube de futebol não se resume apenas a 11 jogadores.”

Em dezembro, o dono do Lille - atual líder do campeonato - Gerard Lopez se viu obrigado a vender o clube a um fundo de investimento de Luxemburgo por pressão dos maiores credores do clube, JP Morgan e Elliott Management

A saída mais fácil seria recorrer a um novo empréstimo do governo, mas o ministro da Educação e dos Esportes, Jean-Michel Blanquer já afirmou que o Estado não pode ser um bombeiro para apagar os problemas de acordos com tanto risco.

Com os problemas financeiros causados pelo encerramento precoce da temporada 2019/20 e o rombo causado pelo fim do acordo com a Mediapro, a maioria dos times franceses deve ser vendedora nas próximas janelas de transferências, mais calmas por causa dos efeitos de pandemia, e até liberar atletas de graça para aliviar suas contas, já que nem todos contam com o apoio de sheiks do Catar como o PSG.

Siga o Yahoo Esportes no Instagram, Facebook e Twitter

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos