Futura embaixadora dos EUA na ONU promete ser mais dura com a China

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Linda Thomas-Greenfield se apresenta à Comissão de Relações Exteriores do Senado em sua audiência de confirmação como embaixadora dos Estados Unidos na ONU, em janeiro de 2021, em Washington

Linda Thomas-Greenfield, escolhida pelo presidente Joe Biden como embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, prometeu nesta quarta-feira (27) lutar contra a influência global da China e lamentou ter feito um discurso há alguns anos em um instituto financiado por Pequim.

Ex-diplomata de carreira, Thomas-Greenfield disse em sua audiência de confirmação que os EUA deveriam devolver cotas à ONU, a "maior organização de paz da história", e não permitir que outros poderes preenchessem um vazio.

“Em particular, sabemos que a China está trabalhando em todo o sistema da ONU para fazer avançar uma agenda autoritária que vai contra os valores centrais da instituição: os valores americanos”, afirmou ela.

“Seu sucesso depende de nossa retirada contínua (dos organismos internacionais). Isso não vai acontecer sob minha supervisão”, enfatizou.

Nesse sentido, Thomas-Greenfield defendeu que os Estados Unidos deveriam pagar os atrasos nas operações de paz da ONU, estimados em cerca de 1,3 bilhão de dólares.

“Não pagar nossas contas realmente diminui nosso poder e diminui nossa liderança”, justificou.

O governo do ex-presidente Donald Trump desprezou muitas instituições internacionais como parte de sua filosofia de "Estados Unidos em primeiro lugar".

Thomas-Greenfield foi questionada sobre uma palestra que realizou em 2019, enquanto trabalhava no setor privado, no Instituto Confúcio da Universidade Estadual de Savannah, um dos centros linguísticos e culturais promovidos no exterior por Pequim.

Trump fez lobby para o fechamento de todos os Institutos Confúcio no país, alegando que eles eram órgãos de propaganda do governo chinês.

A diplomata disse que fez o discurso mencionado em apreço pela universidade, uma instituição historicamente negra no estado da Geórgia, e na esperança de que mais pessoas não brancas ingressassem no serviço de relações exteriores dos EUA, não no próprio Instituto Confúcio.

"Sinceramente, gostaria de não ter aceitado esse convite específico. E saí da experiência francamente alarmada com a forma como o Instituto Confúcio estava se envolvendo com a comunidade negra na Geórgia", declarou.

Quando questionada se compartilhava da decisão do governo Trump, tomada no último dia de seu mandato, de rotular o tratamento da China aos muçulmanos uigures como "genocídio", ela disse: "O que eles estão fazendo é horrível".

“Acho que o Departamento de Estado iniciou uma revisão dessa decisão”, afirmou.

O novo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse na semana passada, durante sua própria audiência no Congresso, que concordava com a acusação de "genocídio", sem mencionar a "revisão".

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