Futuras ministras sinalizam governo mais diverso sob Lula. Mas este é só 1º passo

(L-R) Brazilian former President (2003-2010) and presidential candidate for the leftist Workers Party (PT) Luiz Inacio Lula da Silva, former presidential candidate Simone Tebet, former Environment Minister Marina Silva, and federal deputies Dandara Tonantzin and Celia Xakriaba raise their arms during a campaign rally between Belo Horizonte and Ribeirao das Neves, Minas Gerais state, Brazil, on October 22, 2022. - Veteran leftist Luiz Inacio Lula da Silva said he is keeping an eye on poll numbers showing his lead narrowing over far-right incumbent Jair Bolsonaro for Brazil's October 30 presidential runoff but is confident he will win. (Photo by DOUGLAS MAGNO / AFP) (Photo by DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
Lula recebeu apoio de lideranças femininas durante a campanha. Agora elas serão parte fundamental de seu governo. Foto: Douglas Magno / AFP (Getty Images)

Com a confirmação de Simone Tebet (MDB-MS) para o Ministério do Planejamento e as escolhas praticamente certas de Sônia Guajajara (PSL-SP) e Marina Silva (Rede-SP) para as pastas de Direitos Indígenas e Meio Ambiente, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fica perto de cumprir uma de suas principais promessas de campanha: a formação de um governo mais diverso do que os anteriores, inclusive os dele.

Simone, Sônia e Marina serão companheiras de trabalho de outras lideranças femininas nomeadas para o primeiro escalão, como Nísia Trindade (Saúde), Cida Gonçalves (Mulheres), Anielle Franco (Igualdade Racial), Margareth Menezes (Cultura), Esther Dweck (Gestão) e Luciana Santos (Tecnologia).

Outros nomes ainda podem surgir, como Ana Moser, cotada para o Ministério do Esporte.

Lula, em seu primeiro anúncio, havia priorizado homens de seu partido, escalados para serem protagonistas na gestão da Economia, com Fernando Haddad, Relações Exteriores (Mauro Vieira), Casa Civil (Rui Costa), Trabalho (Luiz Marinho), Desenvolvimento Social (Wellington Dias) etc.

Sob Dilma Rousseff, as mulheres foram alçadas a protagonistas na gestão política, com Gleisi Hoffmann à frente da Casa Civil.

Junto com a então presidenta, elas foram fritadas por colegas de Esplanada e parlamentares. O golpe de 2016 tinha componentes misóginos desde o início da gestão, que colocou mulheres para conversar com seus pares em um mesmo patamar.

Lula tomou outro caminho.

Mais do que representatividade, o presidente eleito terá como desafio colocar as questões a serem gerenciadas pelas mulheres da equipe no centro das prioridades.

O meio ambiente, por exemplo, foi escanteado no último governo. Marina volta ao Executivo com prestígio internacional e a missão de apagar o incêndio. Literalmente.

Historicamente, direitos indígenas só entravam em pauta quando povos originários se reuniam na Praça dos Três Poderes em protestos que quase sempre denunciavam a violência e os abusos de grupos econômicos dominantes em suas terras.

Agora terão assento no primeiro escalão do governo, um dos muitos primeiros passos para que suas vozes sejam finalmente ouvidas. Têm, afinal, uma representante no centro do poder.

No caso de Simone Tebet, o desafio será transformar um ministério que sempre funcionou como anexo do Ministério da Fazenda em um organismo capaz de orientar de fato as políticas públicas. Algumas estavam desenhadas em seu plano de governo.

Para contemplar a nova aliada, Lula pensou em turbinar a pasta, que ficaria responsável pelos bancos públicos e os programas de parceria público-privada. No fim, só as PPIs ficarão debaixo das asas da futura ministra.

Caberá a Tebet buscar, na Esplanada, a visibilidade que seu ministério, de saída, não tem. Ela preferia uma pasta com mais recursos e mais projeção, como Desenvolvimento Social. O PT bateu o pé e ficou com o posto.

A missão principal, porém, é aparar arestas e criar pontes com uma ala do empresariado que ainda mantém reservas em relação ao PT.

Para isso não basta a Lula nomear a aliada e deixar os meninos brincando de tomar as grandes decisões. É preciso ouvi-la – assim como é preciso ouvir todas as futuras ministras desafiadas, desde já, a colocar questões sociais urgentes no centro da agenda política.

A nomeação é só o primeiro passo.